DIRETO DO MUNDO DA LUA – PARTE XI

Por Dartagnan da Silva Zanela

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[I] O ministro Gilmar Mendes, sem querer querendo, deu uma contribuição impar para a filosofia política quando apresentou, numa entrevista recente, um novo tipo ideal, ou quem sabe um conceito operacional mesmo, para analisarmos as peculiaridades reinantes na vida pública dessa terra de desterrados. Resumindo o entrevero, não somos uma democracia e estamos muito além duma oclocracia. O Brasil é uma singular cleptocaria onde impera a falta de vergonha na cara que regulamenta cinicamente o despudor frente a república de alto a baixo, desde os mais retirados rincões até os mais apinhados centrões. Pois é, ninguém segura esse gigante.

[II] Todos se lembram daquela música dos Titãs onde canta-se que a solução seria alugar o problema? Pois é, abandone. E abandone por duas razões: quem vai querer alugar o Brasil? Segundo: eles, os Titãs, cantavam euforicamente “nós não vamos pagar nada...” Não vamos pagar nada? Ninguém mais acredita nisso.

[III] Antigamente os comunas, sejam os aguerridos ou os “catedráticos”, declaravam-se marxistas e lavoravam em prol dessa doutrina totalitária movidos por uma pia convicção de que eles estavam realizando uma mundana missão. Acreditavam mesmo que estavam respondendo ao chamamento duma espécie de "vocação". Hoje os tempos são outros. Não descarta-se a existência de almas que fazem do credo vermelho uma vocação, porém, não são poucos os que fazem do  papel de rebelde institucionalizado sua profissão. Profissão que, em numerosos casos, é muito bem remunerada tendo em vista o desserviço que essa gente alucinada presta à nação.

[IV] Quem muito quer mexer na meta fiscal é porque meteu em cumbuca que não devia, ou porque pretende meter mais um pouquinho sem ninguém perceber. Pior! Fazer chantagem publicamente, para que o fiscal em meta seja metido dum jeito ou de outro é sacanagem pra dar com pau. Ou não? Bem, seja como for, que cada um meta a meta onde quiser desde que não me meta no meio e nem me mande a conta dessa meteção. Pode ser ou tá difícil?

[V] Voltaire dizia que há homens que são tão grandes que nos esquecemos dos seus vícios. Podemos dizer o mesmo das mulheres que exalam grandeza. O mesmo não pode ser dito, nem mesmo insinuado, no cenário atual de nosso país. A grandeza, ao que tudo indica, pediu licença sem vencimentos e os vícios, por sua deixa, tomaram conta do horizonte que um dia fora um campo privilegiado das almas  varonis.

[VI] Faz pouco, não muito, um petista lá das cabeças, afirmou que o senhor Lula seria um patrimônio da democracia brasileira e que toda crítica a ele deveria ser denunciada e rechaça. Ora pois! Quer dizer então que um homem público que está atuando no cenário político atual, que teve sua candidatura anunciada para as eleições de 2018 e que está com sua vida pública pregressa sendo colocada em dúvida não pode ser criticado? Quer dizer que esse coisão deve ser tratado como uma espécie de "pai fundador" da pátria? Que bagaça é essa? Essa bagaça chama-se culto a personalidade advindo duma mentalidade stalinista tupiniquim retrograda, típica de regimes totalitários que, em muitas ocasiões, foram apontados pelo senhor Luiz Inácio, como exemplos para o nosso país. Tal mentalidade é a cada escarrada da democracia petista.

@dartagnanzanela
http://zanela.blogspot.com

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