DIRETO DO MUNDO DA LUA – PARTE I

Por Dartagnan da Silva Zanela

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I
Queria eu ter mais coragem, mais ousadia para fazer o que realmente considero necessário. Muitas vezes penso que minha prudência seria apenas um elegante disfarce para minha covardia.

Queria eu poder direcionar minhas potências irascíveis para o horizonte do bom combate. Queria que as palavras não me faltassem no momento em que a justiça reclama e clama por meu tíbio brado.

Queria, ah, como eu queria, que meu grito não fica-se engasgado em minha garganta. Queria que ele singra-se, retumbante, por todas as direções apontadas pela rosa dos ventos. Queria, ah, como eu queria, mas minha covardia, fantasiada de prudência, não quer.

II
Deus, muitas vezes, nos humilha para que possamos ser salvos. Digo, Ele nos revela, mesmo que por um instante, a humilhante situação em que nos encontramos por estarmos profundamente embebidos em nossa soberba. E todos nós sabemos que não há nada mais humilhante para uma alma orgulhosa do que ser lembrada do quão mesquinha e degradante é sua condição.

III
Há muitos males que assolam a sociedade. Muitos deles de tão grande magnitude que nos reduzem a uma impotência tamanha que sentimo-nos como um inseto kafkaniano.

Entretanto, há inúmeros outros que podem ser amenizados, e mesmo resolvidos, com uma pequena porção de nossa atenção. Entretanto, nosso ego inchado deixando-nos cegos para o grande bem que poderíamos estar fazendo anonimamente.

Não falo apenas duma doação material de qualquer ordem. Refiro a uma conversa. Sentar e conversar com as pessoas e tratá-las como tal. São desses gestos que o mundo carece, que a vida clama, para que almas sebosas não venham mais se autoproclamar defensoras dos pobres para utilizá-los como peões em seu jogo sujo. 

Estou cônscio de que a melhor arma que existe para combater a corrupção moral e política que impera em nossa sociedade é amarmos o próximo de maneira abnegada, servindo a Deus que está presente na imagem daquele que está tão perto de nós e, ao mesmo tempo, tão distante de nosso coração.

Aí sim, compreenderemos que nosso sentimento de impotência frente aos problemas do mundo não passa duma ilusão pérfida fruto da nossa vaidade. Apenas isso, nada mais do que isso.

IV
Ser enganado é triste. Triste mesmo. Nossa classe política faz isso com uma frequência muito maior do que gostaríamos e, apesar dos inúmeros tombos, nos esforçamos para aprender a lidar com essa gente. Entretanto, há aqueles que são enganados e negam-se a conhecer a verdade dos fatos. Se fecham em copas e não há Cristo que lhes faça  reconhecer que foram feitos de besta.

E se isso já não fosse o suficiente, esses tipos não se cansam de enxovalhar todos os que querem, inutilmente, abrir os seus olhos. Ficam simplesmente loucos, numa perene crise de histeria, se alguém ousa lhes dizer o óbvio ululante.

No fundo, esses elementos não passam de pobres almas que tem uma vida minguada de sentido e, por desespero inconfesso, depositam todas suas esperanças numa ideologia furada, num partido político mequetrefe e num punhado de lideranças sem caráter. E fazem isso para preencher suas vidinhas vazias com essas coisinhas peçonhentas.

Enfim, diante de tamanha miséria humana, confesso que até me compadeço e, em certa medida, compreendo a frustração dessa gente. Compreendo, inclusive, os petiz histéricos desses infelizes. Sei que eles tem lá as suas razões para agirem assim, mesmo que todas elas sejam desarrazoadas como suas vidas.

V
Nos sentimos, frequentemente, muito mais desconfortáveis diante dum elogio sincero do que frente uma crítica furiosa. Os críticos, honestos ou não, apenas nos abalam e, sem querer, nos obrigam a tornarmo-nos mais fortes. Já as almas afetuosas, que nos congratulam com gentis palavras, nos tiram o chão, nos deixam sem palavras e, sem querer querendo, podem, perigosamente, nos envaidecer.

VI
O sonho de muitos militontos comunas brasileiros era bater continência para Hugo Chávez. Pois é, não dá mais. Vão ter que se contentar em bater palmas para o Maduro, com a foto do buchudo ao fundo, enquanto os militontos venezuelanos recitam o pai nosso chavista.

VII
Reconhece-se um idiota com grande facilidade. Basta ouvi-lo. Digo, basta que deixemos ele falar por alguns instantes e pronto: temos o idiota desnudo diante de nossas vistas, mas não diante dos olhos da multidão.

VIII
Todo idiota sempre carrega, em sua surrada algibeira, meia dúzia de frases de efeito e outro tanto de palavras de ordem para colocá-las a seu modo no meio de qualquer conversação.

Exemplo: para essa gente, tudo é ideológico. Há, segundo sua visão tacanha, em todas as ações humanas, uma intenção ideológica oculta e, por isso, qualquer questão deveria ser tratada dentro duma perspectiva ideológica. E não é só isso! Não seriam as pessoas, segundo eles, que agem e falam, mas sim, as ideologias que falam e agem através das pessoas.

Bem, estando diante desse tipo de situação, não é de mau alvitre pedir para que defina-se o que é uma ideologia. Seria também interessante perguntar para esses tipos humanos, mesmo que pareça inconveniente, se são eles quem estão apresentando essa definição ou se é uma ideologia que o está utilizando-os como uma caixa de ressonância.

Eeee lasqueira! Melhor deixar quieto.

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