OLHA O SEGUNDO TURNO AÍ GENTE!

Redigida no dia 06 de outubro de 2014, de São Bruno, eremita, da Santa Maria Francisca das Cinco Chagas e do Beato José Rubio. Vigésima sétima semana do Tempo Comum.

Por Dartagnan da Silva Zanela
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Uma apuração relâmpago! Primeiro a gente fez tec tec, depois a urna fez pililim e tchá tchá tchá! Já temos a apuração dos votos e o Brasil todo já sabe quem são os candidatos eleitos e aqueles que irão pelejar a guerra política na segunda rodada.

A eficiência hi tec impressiona. A organização da Justiça Eleitoral também. Porém, as regras para encenação do espetáculo deixam a desejar e pode-se, penso eu, melhorar significativamente, se num duelo eleitoral futuro forem adotadas medidas simples que tornem o pleito mais competitivo. Uma delas seria acabar com o horário eleitoral “gratuito”.

Isso mesmo! Negócio patético esse de horário eleitoral. O que sobra de trejeitos furibundos, fruto do marquetismo, falta em termos políticos. Isso sem falar na apresentação dos deputados com suas falas rápidas que, na prática, não permitem ao eleitor saber nada de realmente significativo a respeito da vida dos candidatos e muito menos sobre sua real competência.

Sim, sei que o eleitor esclarecido irá procurar informações sobre os sujeitos, que irá pesquisar a vida do indivíduo, porém, convenhamos, esse espécime é um trem fuçado raro nesses pagos.

Gostemos ou não, em nossa sociedade, ainda a televisão e o rádio são os principais meio de informação que o eleitor médio recorre para escolher os seus candidatos. De mais a mais, como o horário eleitoral é uma pasmaceira só, não precisamos consultar nenhum instituto de pesquisa, com suas margens e rios de erros, para saber que pouquíssimas pessoas assistem as propagandas eleitorais televisivas.  Por isso sou partidário da abolição do infame e em seu lugar colocaria apenas uma série de debates entre os candidatos ao executivo e ao legislativo.

Seria algo mais ou menos assim: eles seriam realizados nas sextas e sábados, em horário nobre (18h00 às 23h00), com transmissão obrigatória por todos os canais de televisão e estações de rádio. Nas sextas os candidatos Estaduais e nos sábados os demais. Duas horas para os candidatos ao executivo e três para os do legislativo.

Os debates dos candidatos ao executivo, e ao senado, seguiriam o formato convencional. Já aqueles que almejassem ocupar uma deputação, Estadual ou Federal, deveriam enfrentar-se via sorteio num confronto entre coligações.

Detalhe: se o cabra não apresentar junto com sua candidatura um plano de governo, não participa da brincadeira (está fora da eleição). Outra coisa: nas quartas seriam realizadas sabatinas com os candidatos do executivo abordando questões sobre os seus planos de governo e sobre o que foi dito no debate do fim de semana.

Imagino eu que muitos cidadãos iriam reunir-se em suas casas, com amigos e familiares, para assistir a peleja. Outros tantos iriam para um bar ou lanchonete para fazer o mesmo. Iriam ouvir as propostas dos candidatos, avaliá-las e, principalmente, avaliá-los num confronto direto sem marquetismo, firulas escusas e demais coisas do gênero.

Penso também que no correr da semana os cidadãos ficariam comentando o confronto, da mesma forma que normalmente o fazem com relação ao Campeonato Brasileiro de Futebol ou as lutas do UFC, ansiosos pelo próximo debate.

No meu parvo entendimento, neste formato, a disputa tornar-se-ia mais equilibrada e muitíssimo mais política e, como conseqüência, teríamos uma maior politização da sociedade.

Uma medida simples que, se adotada, não exatamente nos termos sugeridos, iria qualificar a nossa democracia duma maneira como nunca se viu na história de nosso país.

Pax et bonum
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