sexta-feira, 31 de outubro de 2014

O LANCEIRO FARROUPILHA

Por Dartagnan da Silva Zanela

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1.
É incrível como o uso apropriado das palavras camufla o sentido literal das ações humanas. Ao invés de dizer caixa dois, fala-se em “recursos de campanha não contabilizados”. Ao invés de falar, na cara dura, censura, diz-se, de maneira aliciante, “controle social da mídia”. A canalhice rubra, a sua sanha por poder, não tem limites.

2.
Quem diz que faz qualquer coisa para permanecer no poder não tem o menor amor pela república. Quem diz que faz qualquer coisa para não sair do palácio não passa dum tirano populista que enxovalha a democracia.

Dizer que está cagando e andando para a tragédia institucional que assola nosso país é uma forma bem sem vergonha de disfarçar o medo que está nos dominando de cabo a rabo.

3.
A palavra democracia cabe na boca de qualquer um, inclusive e principalmente, na daqueles querem destruí-la em nome duma vil tirania que, por sua deixa, irão chamar de democracia plena ou popular.

4.
Na década de 90, o PT apresentava-se como o impoluto partido da ética. Lembra-se disso? Pois é, se houvesse corrupção, eram contra de maneira irascível e histérica. O tempo passou e com o escândalo do mensalão, o discurso mudou. Passaram a dizer, ironicamente: “então quer dizer que foi o PT que inventou a corrupção?” Waaal! Que mudança em? Hoje, após dezenas de escândalos envolvendo o “partido da ética”, os militantes, simpatizantes e agonizantes dizem, lacônica e furiosamente: “em todo governo há corrupção! O que importa é que ele tenha uma proposta programática progressista”. Ou seja: agora os fins justificam os meios. Por fim, alguém que muda seu discurso dessa forma ou mudou do vinho para o vinagre, ou simplesmente revelou a sua verdadeira face cínica e totalitária.

5.
Foi anunciado! É fato! A gasolina poderá subir até 1328%... na Venezuela. Mas não se apoquente porque essa conquista não está tão distante assim de nossas mãos brazucas.

6.
Todos, até as pedras, sempre souberam que militantes do MST e do PT iam, e vão, para Cuba fazer “cursos de formação”. Agora, para ampliar as conquistas, é firmado um acordo entre o MST com o governo Venezuelano que está enviando para nossas terras equipes que estão ministrando aulas sobre "democracia bolivariana", sobre o socialismo do século XXI. Sim, que o PT tem um projeto político socialista, totalitário, todos sabem. Até as pedras sabem. O que poucos querem ver, ou admitir, é que estamos caminhando para a cubanização e, porque não, venezuelização de nossa pátria tão maltratada, salve, salve. E se continuarmos nesse rumo, não há PRONATEC que dê jeito.

7.
O marxismo é uma expressão sistemática e teórica do rancor e da inveja. É uma teoria que proporciona um sentido erístico que camufla o que há no coração de seus partidários, sejam eles ardorosos ou amornados.

8.
O Brasil tá cheio de sujeitos que defendem, com a voz alterada, que o Estado deveria controlar diretamente toda a economia. E, defendem essa sandice, com tanta convicção, por duas razões simples: (i) nunca administraram nada. Nem um carrinho de pipocas e, em muitos casos, nem mesmo a própria vida. (ii) nunca pararam pra pensar que a eficiência de uma economia toda estatizada seria similar a eficiência dum Paço Municipal.

9.
Sem meias-palavras: o socialismo é uma ideologia totalitária desde o princípio.

10.
Você sabe o que é democracia? É aquilo que não existe em Cuba, que está em estado terminal na Venezuela e que inexiste em todos os países que vivem sob a égide dos delírios socialistas.

11.
Tem uma galera nervosa porque uma boa parcela da sociedade está clamando pelo impeachment da represidenta. A galerinha diz que é golpe, que é isso e aquilo. Ora, então quer dizer que o impeachment do Collor, atual aliado do PT, foi um golpe? É isso? Também teria sido, na década de 90, o movimento “Fora FHC e o FMI” uma tentativa de golpe? Waaal! Realmente, para essa gente, de duas mãos esquerdas, impeachment no dos outros é direito; no deles, uma ardente violação da democracia.

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quarta-feira, 15 de outubro de 2014

NADA DE TRIPAS

Redigida no dia 15 de outubro de 2014. Dia de Santa Tereza D’Ávila, Vigésima oitava semana do Tempo Comum.

Por Dartagnan da Silva Zanela

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Enfim tivemos o primeiro embate entre os presidenciáveis nesse segundo turno. O espetáculo era esperado com grande ansiedade pela sociedade. Não eram poucos os pregões de apostas. A venda de bandeirinhas e cornetas era farta. Não tinha nenhum cambista, haja vista que a entrada na arena era franca através da janelinha televisiva.

A expectativa era de que houvesse sons de ossos trincando, tripas e vísceras de todos os tipos esparramadas pelo chão e sangue levemente respingado nas paredes, para dar aquele toque de selvageria. Mas não houve nada disso. Os dois contendores até pareciam bem abestados para meu gosto. Abestados até demais. Sim, meu caro Watson, debate é um esporte sangrento em que apenas os capacitados e devidamente preparados estão autorizados a participar. Caso contrário, fuja louco!

Tal qual uma luta, a beleza e mesmo a energia dum bom debate está no razoável gabarito dos pugilistas participantes. Tal qual uma partida de futebol, num debate, quando um bom e o outro é uma ferida, não se tem um espetáculo. Tem-se um massacre. Aí não beleza não.

E foi isso que tivemos no primeiro debate entre a senhora Comandanta e o senhor AAS Neves. Porém, mesmo assim, foi um bom debate. Destacaria nele alguns pontos que, no meu alienado ponto de vista, foram de grande relevância. O primeiro era a própria presença da candidata “Mais Presidência”. Ela, com sua descompostura, dificuldade de se expressar e uma farta incapacidade de apresentar uma resposta razoável sobre seus malfeitos e os não feitos são um retrato caricatural do que são os 12 anos de governança petista. Parecia que ela havia se preparado para um jogral, porém, esqueceu-se de passar as falas que deveriam ter sido ensaiadas e ditas pelo abominável mineiro das neves.

Esse, por sua deixa, mostrava-se muito tranqüilo e incisivo e suas considerações e, sem perder a carreira, disse a senhora Rousseff, que ela e seu partido agem levianamente numa campanha maniqueísta de ficar lançando brasileiros contra brasileiros. E não foi apenas isso. O tucano lembrou a sua contentora, e bem como a todas as hostes rubras, que o programa Bolsa Família nasceu da unificação das políticas sociais que já existiam no governo FHC e que a idéia dessa unificação partiu do então governador de Goiás, Marconi Perillo, do PSDB. É claro que ela rateou feito um Ford velho e chamou o mineiro de fantasioso. Mas aí veio o golpe de misericórdia sobre a soberba petista: a citação da fala do então presidente Lula no lançamento do referido programa agradecendo ao governador Marconi Perillo como sendo o idealizador da unificação dos programas sociais herdados (vide o vídeo: https://www.youtube.com/watch?v=4vCeoPLLUn8). Trocando por dorso: só continuará acreditando que os tucanos irão desmontar os programas sociais quem quiser. Só não vê que o PT instrumentalizou uma política de Estado para atender finalidades eleitoreiras quem não quer.

Outro gol marcado pelo Tucano: ter lembrado a candidata que o senhor Armínio Fraga era muitíssimo elogiado pelo ex-ministro Antonio Palocci e que Lula havia solicitado que ele ficasse mais um tempo após a transição de governo. Aliás, ele poderia ter ido mais longe e lembrado que quem acalmou o mercado internacional quando o PT assumiu o governo há 12 anos foi FHC. A turminha que tem duas mãos esquerdas pode bater o pezinho e ficar bravinho, mas, se esfriarem o cocuruto e lerem o livro “18 dias”, de Matias Spektor, compreenderão todo o trabalho que foi realizado nesse sentido naqueles idos. Trocando por miúdos: mais uma arapuca desarmada, onde as bravatas petistas foram rebatidas com fatos e documentos.

E falando-se em documentos, Aécio, durante o debate, comunicou a todos que sua equipe publicou as contas aprovadas de seu governo do Estado de Minas Gerais em seu site. Basta acessar para constatar que, de fato, a candidata estava e está agindo de maneira leviana e mentirosa. Que feio.

Por fim, confesso que não sou um entusiasta tucano, não mesmo. Mas o neto de Tancredo é o que temos para fazer frente às falanges petistas. É o que temos para evitar que o Brasil, e a América Latina, recuperarem o que os comunistas perderam no Leste Europeu. Essa é a meta do Foro de São Paulo. Se o amigo leitor não sabe o que é o famigerado Foro, por favor, leia o livro “O Eixo do Mal Latino-Americano” de Heitor de Paola. Se quiser entender a instrumentalização petista do Estado brasileiro, a leitura do livro “A revolução gramscista no Ocidente” de Sérgio Coutinho é indispensável.

E, é claro, assista a gravação do debate transmitido pela BAND que está disponível no youtube. Informe-se e procure entender a dramática situação brasileira sem embebedar-se com as paixões do momento. Compreenda que o Brasil é maior que o mesquinho projeto de poder dum partido tentadoramente totalitário. Bem maior.

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segunda-feira, 13 de outubro de 2014

PENSAMENTOS SOLTOS

 Por Dartagnan da Silva Zanela

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1. 
Uma das coisas mais mesquinhas que pode haver é um grupo de indivíduos que arroga o monopólio da virtude, da bondade e da grandeza. Em regra, quanto esses tipos aparecem e se manifestam através de seu palavrório sobre a suposta onipresença de sua magnanimidade, esses o fazem para melhor encobrir a mesquinhez de seus atos e a soberba de suas intenções. Indivíduos que sempre se vêem e se apresentam como sendo infalivelmente boas são justamente os sujeitos invariavelmente maus, incapazes de reconhecer as nuanças que existem entre luz e trevas. Por isso, sempre se colocam acima e além do bem e do mal, como uma espécie de deidade sombria que realiza toda ordem de baixeza em nome duma benevolência que inexiste em seu coração e em suas intenções.

2. 
O Brasil está cheio de pessoas que nutrem quase que uma fé religiosa em torno do socialismo, uma esperança secular de que a realização dos ditames dessa ideologia traria a plenitude da justiça e implantaria uma espécie de paraíso terrestre nestas plagas. O sentimento, o anseio por justiça é justo, haja vista que vivemos, sim, num mundo afogado em injustiças e num país onde não se vê num horizonte próximo uma sincera vontade de minimizá-las. Porém, o socialismo, em qualquer de seus tons e matizes, está léguas de distância de ser um instrumento razoável para realizar esses justos anseios que pulsam no coração de muitos brasileiros.

Vale lembrar que onde essa ideologia imperou, onde ela impera como razão de Estado e princípio teleológico da organização da sociedade, a única coisa que foi distribuída com relativa justeza, foi miséria, medo, terror, opressão, brutalidade e desespero. Em alguns casos, isso ocorreu de forma rápida e abrupta. Noutros tantos de maneira gradativa e anestésica. Bem, num ou noutro caso, o resultado é um só: a negação das promessas benfazejas anunciadas com a elevação e a ampliação das injustiças que dizia-se querer abolir.

3.
Um dos grandes méritos do sistema democrático é a alternância entre os grupos políticos no poder. Tal alternância protege os cidadãos comuns contra a perpetuação de possíveis abusos, renova o fôlego das instituições e defende os próprios grupos políticos das tentações que são inerentes ao exercício do poder.

Quando um grupo não mede esforços e nem considera os meios para se perpetuar no poder, das duas uma: ou eles foram envenenados pela sua longa permanência no exercício do mando, ou o referido exercício apenas revelou a sua verdadeira face totalitária que se ocultava debaixo duma furibunda máscara democrática.

4.
Veja bem, a humildade nem sempre nos salva do inferno, porém, ela sempre nos salva do ridículo. E, neste pleito eleitoral, em seu primeiro turno, não foram poucas as condenações ao ridículo pela falta dum pouco que fosse dessa singela virtude e, ao que tudo indica, o ridículo não será economizado nessa segunda fase.

5. 
O primeiro mandamento do Decálogo reza: “Amarás o Senhor teu Deus acima de todas as coisas”. E o Verbo divino encarnado complementa: “e a teu próximo como a ti mesmo”. Porém, os militantes esquerdistas, com duas mãos canhotas, revisaram e, no entender deles, melhoraram o referido preceito. Segundo eles, deve-se lê-lo assim: companheiro! Idolatrará o Partido acima de todas as coisas, instituições e disposições legais e somente amará o teu próximo se ele também for do partido, viver pelo partido e para o partido.

quarta-feira, 8 de outubro de 2014

OLHA O SEGUNDO TURNO AÍ GENTE!

Redigida no dia 06 de outubro de 2014, de São Bruno, eremita, da Santa Maria Francisca das Cinco Chagas e do Beato José Rubio. Vigésima sétima semana do Tempo Comum.

Por Dartagnan da Silva Zanela
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Uma apuração relâmpago! Primeiro a gente fez tec tec, depois a urna fez pililim e tchá tchá tchá! Já temos a apuração dos votos e o Brasil todo já sabe quem são os candidatos eleitos e aqueles que irão pelejar a guerra política na segunda rodada.

A eficiência hi tec impressiona. A organização da Justiça Eleitoral também. Porém, as regras para encenação do espetáculo deixam a desejar e pode-se, penso eu, melhorar significativamente, se num duelo eleitoral futuro forem adotadas medidas simples que tornem o pleito mais competitivo. Uma delas seria acabar com o horário eleitoral “gratuito”.

Isso mesmo! Negócio patético esse de horário eleitoral. O que sobra de trejeitos furibundos, fruto do marquetismo, falta em termos políticos. Isso sem falar na apresentação dos deputados com suas falas rápidas que, na prática, não permitem ao eleitor saber nada de realmente significativo a respeito da vida dos candidatos e muito menos sobre sua real competência.

Sim, sei que o eleitor esclarecido irá procurar informações sobre os sujeitos, que irá pesquisar a vida do indivíduo, porém, convenhamos, esse espécime é um trem fuçado raro nesses pagos.

Gostemos ou não, em nossa sociedade, ainda a televisão e o rádio são os principais meio de informação que o eleitor médio recorre para escolher os seus candidatos. De mais a mais, como o horário eleitoral é uma pasmaceira só, não precisamos consultar nenhum instituto de pesquisa, com suas margens e rios de erros, para saber que pouquíssimas pessoas assistem as propagandas eleitorais televisivas.  Por isso sou partidário da abolição do infame e em seu lugar colocaria apenas uma série de debates entre os candidatos ao executivo e ao legislativo.

Seria algo mais ou menos assim: eles seriam realizados nas sextas e sábados, em horário nobre (18h00 às 23h00), com transmissão obrigatória por todos os canais de televisão e estações de rádio. Nas sextas os candidatos Estaduais e nos sábados os demais. Duas horas para os candidatos ao executivo e três para os do legislativo.

Os debates dos candidatos ao executivo, e ao senado, seguiriam o formato convencional. Já aqueles que almejassem ocupar uma deputação, Estadual ou Federal, deveriam enfrentar-se via sorteio num confronto entre coligações.

Detalhe: se o cabra não apresentar junto com sua candidatura um plano de governo, não participa da brincadeira (está fora da eleição). Outra coisa: nas quartas seriam realizadas sabatinas com os candidatos do executivo abordando questões sobre os seus planos de governo e sobre o que foi dito no debate do fim de semana.

Imagino eu que muitos cidadãos iriam reunir-se em suas casas, com amigos e familiares, para assistir a peleja. Outros tantos iriam para um bar ou lanchonete para fazer o mesmo. Iriam ouvir as propostas dos candidatos, avaliá-las e, principalmente, avaliá-los num confronto direto sem marquetismo, firulas escusas e demais coisas do gênero.

Penso também que no correr da semana os cidadãos ficariam comentando o confronto, da mesma forma que normalmente o fazem com relação ao Campeonato Brasileiro de Futebol ou as lutas do UFC, ansiosos pelo próximo debate.

No meu parvo entendimento, neste formato, a disputa tornar-se-ia mais equilibrada e muitíssimo mais política e, como conseqüência, teríamos uma maior politização da sociedade.

Uma medida simples que, se adotada, não exatamente nos termos sugeridos, iria qualificar a nossa democracia duma maneira como nunca se viu na história de nosso país.

Pax et bonum
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