TEATRINHO CARO E INDIGESTO

Redigida no dia 09 de setembro de 2014, dia do Beato Frederico Ozanam e de São Pedro Claver. Vigésima terceira semana do Tempo Comum.

Por Dartagnan da Silva Zanela

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Quando mais moço apreciava muito assistir a um bom debate político. Sim, ver dois ou mais contendores pelejando com os mais variados ardis retóricos é algo bonito de se ver.

Não que me convencesse com as palavras atiradas uns contra os outros, mas apreciava a habilidade dos candidatos em confrontar-se face a face. Prestava muita atenção na forma como os sujeitos enfrentavam situações delicadas que lhes eram apresentadas de maneira ríspida e agressiva e, ao assisti-los, com minhas parcas luzes, procurava analisar o potencial de liderança e a forma como um e outro procuravam capitalizar a simpatia e a empatia do eleitorado.

Independente dos gostos e desgostos, não podemos não reconhecer a grande habilidade de Leonel Brizola em fixar, sem medo, os mais duros apelidos e jargões em seus adversários. E fazia isso com um olhar flamejante. Era impagável vermos o bom humor e a audácia com que Mário Covas desbancava e desestabilizava seus rivais. E o que dizer do cinismo de Ciro Gomes que não media eira ou beira para atacar ou responder os seus antípodas? Todos eles não tinham medo de deixar claro ao que vieram.

Pois é, e vejam que estou me referindo a debates recentes, que ocorreram na década de 90 da centúria passada e, de lá pra cá, a coisa degringolou dum jeito que chega a dar vergonha do Valter. Isso mesmo! Confesso que me esforcei para assistir aos dois debates que foram realizados entre os presidenciáveis, mas não deu pé não.

Era inevitável. Vinha à minha memória os debates que assisti em passado não muito distante e comparava com esse trem fuçado que estava diante de meus olhos e dizia a mim mesmo: isso não é um debate! É uma conversa entre compadres. De compadres que não querem agravar o outro porque tem medo do que ele irá lhe dizer ou, do que ele poderá contar para os demais sobre ele.

Aquela pose de pseudo-educação, de afetação barata que não convence nem mesmo a uma criança. É só mirar nos olhos de cada um dos elementos envolvidos nesse fiasco que vemos claramente que nenhum deles está ali para liderar um povo. Está escrito, em seus olhos: somos apenas atores, ruins, e aqui estamos para encenar uma pecinha encomendada para manutenção do sistema de poder rubro laboriosamente montado em nosso país.

Perdoe-me a indelicadeza, mas falta sangue nesses debates e nessa eleição. Não no chão, mas nas veias dos candidatos, principalmente na dos que dizem querer retirar o PT do poder. Até agora eles não convenceram ninguém de que esse é o intento deles e se a dona Marina Silva, que parece que vai desmaiar quando começa a falar, cresce nas pesquisas, não é por mérito, mas sim, por pura e simples falta de opção. Quanto ao seu Neves, infelizmente ou não, ele claramente quer ser uma opção. Aliás, só falta ele pedir desculpas para dona Dilma por estar concorrendo. Ele consegue ser mais sem sal que o picolé de Chuchu (Geraldo Alckmin) e o suflê de alface (José Serra), juntos.

Por essas e outras que essas eleições parecem muito mais um teatrinho mal encenado do que realmente uma disputa aberta pelo poder. Sim, almejar o poder não é pecado! Não se precisa ter vergonha de lutar por ele. Pecado é o que é feito para obtê-lo e o que é realizado com ele quanto o temos em mãos. E, mais grave que isso, é colocar-se numa luta em nome de milhões e negar-se a disputá-la de maneira honrada e varonil.

A disputa está tão farsesca que o ponto alto dos dois debates ficou por conta de figuras folclóricas interpretadas por alguns candidatos menores. Ponto alto pela comicidade, não por alguma excelsa habilidade. Pra falar a verdade, eu queria ver essa tigrada largada no meio duma seção do Parlamento Britânico pra ver como eles se saíam, ou se sairiam com eles. Quem sabe lá eles aprendessem o que é a tal da coragem política a tanto perdida nessas terras de Pindorama (vã esperança).

Por fim, não há mais a menor dúvida de que a vileza subiu à cabeça do Brasil. Definitivamente, é o fim da rosca.

Pax et bonum
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