PALAVRAS DUM DESESPERANÇADO

Redigida no dia 16 de setembro de 2014, dia de São Cornélio e de São Cipriano. Vigésima quarta semana do Tempo Comum.

Por Dartagnan da Silva Zanela

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Está ruim, mas, não se preocupe! Vai piorar. Basta ter paciência e aguardar os próximos capítulos do angu nacional. E nessa sorumbática espera, pelo amor de Deus, não me pergunte em quem não vou votar e não me peça um conselho para saber em quem votar. Sou franco: não está dando pé.

E te digo mais! Não me venha com os surrados trololós para querer me convencer que Marina [Lula] Silva ou AS Neves são alternativas para Comandanta e sua trupe. Isso mesmo! A segunda via festejada por muitos é uma ex-petista histórica ou, se preferirem, uma Dilma com clorofila. E o PSDB? Apenas uma versão cor de rosa do PT. Lembre-se que Fernando Henrique foi um dos principais articuladores da criação do segundo (palavras do próprio Lula em julho de 1979) e, obviamente, do primeiro. Que coisa em?

Sim, há que se iluda com as alternativas que se apresentam, entretanto, essas alternativas não refletem a apresentação duma estrutura e dum projeto político antípoda à estrutura do Foro de São Paulo, haja vista que nenhuma das candidaturas contrárias a Dilma ousa tocar nessa ferida. Na mais mórbida hipótese, essa disputa eleitoral reflete um racha interno ou simplesmente uma reles disputa pelos cargos junto ao Estado. Um bate-boca entre compadres. Nada mais.

Obviamente que nos Estados e Municípios continua a imperar, mais aqui, menos acolá, o velho cancro mandonista, com seus caciques políticos e suas tribos ideologicamente desbotadas (clãs políticos, como diria Oliveira Vianna). E, dum modo geral, nesses rincões julgam-se os projetos e disputas políticas em nível federal como se fossem orquestrados pelas mesmas mesquinhas razões que regem o carteado político local. Carteado esse que facilitou, e continuará a facilitar a permanência do poderio rubro em nível nacional.

Sim, a estratégia tacanha e a imaginação política mesquinha, muitas das vezes, auferem alguma eficácia na obtenção do poder numa pequena e restrita república (que é uma municipalidade e/ou um Estado). Estratégia que simplesmente articula e rearticula interesses individuais e grupais que tem apenas em vista a obtenção de vantagens e prestígio momentâneos. Porém, o Brasil e bem como os projetos políticos que estão regendo a ordem nacional são bem maiores do que aqueles que são orquestrados numa cidadezinha brasileira e estão, muitas das vezes, muito além da imaginação política e do desejo de compreensão dos sujeitos que confundem os seus interesses pessoais e grupais com o bem público.

Não? Então mudemos de saco pra mala. Me diga uma coisa: você acha, realmente, que um homem como o senhor José Dirceu, pensa e age como um coronelzinho? Você acredita que ele, um homem que afirma sentir-se mais cubado que brasileiro, deseja somente, como direi, mamar nas úberes estatais como um terneirinho? Por fim, você acredita que um homem como ele, com a frieza dele, seria apenas um politicozinho corrupto como outro qualquer? Não meu caro. Ele é muito mais do que isso. Ele é um homem à altura do projeto de poder que ele, e seus pares, edificaram e consolidaram em nosso país. Uma obra de engenharia política admirável, mas que, como todo projeto totalitário, condenável do princípio ao fim.

Por isso não tenho conselhos eleitorais para dar nem mesmo pra vender. Não tenho mesmo. No atual cenário político, a nível federal, o projeto de poder laboriosamente construído pelo Foro de São Paulo encontra-se consolidado e não há nenhuma força similar a ele para confrontá-lo. Não? Então me diga uma última coisa: por um acaso há algum grupo político que tenha um plano de metas a ser realizado nos próximos trinta anos? Pois é, que coisa em?

Pax et bonum
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