NO MUNDO DA LUA - reflexões e borrões – parte II

Por Dartagnan da Silva Zanela

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1.
Há que faça a defesa do indefensável. E como há. Mas o intrigante não é vermos uma pessoa realizar a defesa de algo repugnante como sendo equivalente ou mesmo superior a algo, de fato, louvável. Não mesmo. O questionamento que considero relevante é saber o que leva uma pessoa fazer isso. As repostas possíveis a essa pergunta, sim, considero relevantes. Se houver uma, poderemos compreender os seus fundamentos. Se não existir razão alguma, poderemos tentar compreender o que leva uma pessoa optar tão levianamente pelo grotesco e absurdo. Tentar porque, realmente, é difícil entender.

2.
O livro Imitação de Cristo, de Thomas de Kempis, é uma jóia preciosa. Dentre os preciosos tesouros que podemos colher com nossas vistas em suas laudas, temos esse que nos diz que: “Jesus tem agora muitos que amam o seu reino, mas poucos que gostem de carregar a sua cruz. Tem muitos que desejam consolação, mas poucos tribulação. Encontra bastantes companheiros de mesa, mas poucos de abstinência. Todos desejam alegrar-se com Ele, mas poucos querem suportar por Ele alguma coisa. Muitos seguem Jesus até à fração do pão, mas poucos até ao beber do cálice da Paixão. Muitos veneram os seus milagres, mas poucos seguem a ignomínia da Cruz. Muitos amam a Jesus, enquanto as adversidades não os tocam. Muitos O louvam e bendizem enquanto dele recebem quaisquer consolações, mas se Jesus Se esconder e os abandonar um pouco, caem nos queixumes ou em grande abatimento. Aqueles, porém, que amam Jesus por Jesus, e não por si próprios, bendizem-No em toda a tribulação e angústia, tal como na maior consolação. E, ainda que Ele nunca lhes quisesse dar consolação, louvá-Lo-iam sempre e sempre Lhe quereriam dar graças. Oh, quanto pode o puro amor a Jesus, não misturado a nenhuma comodidade pessoal ou amor próprio!”

3.
Algumas pessoas não sabem servir ao próximo nem mesmo com um gesto mínimo. Outras tantas não prestam nem mesmo para dar uma resposta minimamente descente. Porém, há aqueles que, definitivamente, não servem pra nada e, por serem detentores dessas credenciais, ocultam-se por detrás dum carguinho, ou d’algo similar, que lhe invista duma autoridade para tentar mal disfarçar sua imoral e descarada nulidade.

4.
Tudo... Tudo se torna obscuro e sombrio quando a mentira se traveste de autoridade, quando o engano apresenta-se como sendo a verdade, quando a falsidade faz pose de excelsa dignidade. Tudo... Tudo mesmo coloca-se a perder na vala da mesquinhez quando se esvai a última gota de vergonha na cara. Se é que há alguma na cara deslavada de quem faz da mentira profissão e da picaretagem brasão de autoridade.

5.
É ruim quando falhamos. E como falhamos. Todo santo dia decepcionamos alguém. Não que sejamos feitos para isso, mas, inevitavelmente, fazemos isso com uma freqüência muito maior do que desejamos. Todos nós sabemos disso e, por isso, perdoamo-nos mutuamente e nos esforçamos, na medida do possível, no intento de não mais errar.

Todavia, há algumas inumanas almas que erram, orgulham-se de seus erros, os repetem habitualmente e, nem de longe, ventilam a possibilidade de escusar-se pelo malfeito. Agem desse modo, escudando-se em títulos, sinecuras e investiduras de potestades e, por isso, erram sem lamentar e ferem sem arrepender-se por acreditarem que estão acima de tudo e de todos, ao mesmo tempo em que manifestam, através de seus atos e palavras, sua total pequenez e nulidade.


Pax et bonum
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