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Mostrando postagens de Agosto, 2014

NO MUNDO DA LUA: reflexões e borrões – parte III

Por Dartagnan da Silva Zanela
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1.  Muitos são os tipos humanos que se aventuram na selva das disputas políticas, porém, podemos, provisoriamente, resumi-los em duas grandes categorias. A primeira seria a dos oportunistas de carreira. A segunda a dos que tem um propósito, bom ou mau, a ser realizado em longo prazo.
Os primeiros desejam apenas se dar bem a qualquer custo. Os segundos não medem os custos para realizar o seu projeto de poder. Os oportunistas acreditam que a sua maneira vil e astuta é o supra-sumo da sabedoria prática. Já aqueles que se dedicam a um projeto de poder, aproveitam de todos os meios possíveis para realizá-lo, inclusive aliar-se, ou dividir-se, momentaneamente, com aqueles que não enxergam nada que vá além dos momentâneos interesses miúdos.
A partir dessas pobres observações, penso que fica evidente porque o Foro de São Paulo e seus aliados são praticamente uma força insuperável na América Latina. Eles são …

Oração de Santo Agostinho

Diante de Vós, Senhor, apresentamos o fardo dos nossos crimes e simultaneamente as feridas que por causa deles recebemos. Se pensarmos no mal que fizemos, é bem pouco o mal que sofremos e muito maior o que merecemos. Foi grave o que ousamos cometer e leve o que agora sofremos. Sentimos que é dura a pena do pecado e no entanto não nos decidimos deixar a ocasião dele. A nossa fraqueza geme esmagada sob o peso dos castigos com que nos punis justamente, e a nossa maldade não quer se desfazer dos seus caprichos. O espírito anda atormentado, mas a cerviz não se verga.  A nossa vida suspira no meio das dores e não nos corrigimos.  Se contemporizardes conosco, não nos emendamos, e se tirais de nós vingança, gritamos que não podemos. Se nos castigais, sabemos declarar que somos réus, mas se afastais por um pouco a Vossa ira, esquecemos logo o que deploramos. Se levantardes a mão, logo prometemos a emenda, se retirais a espada, já nos esquecemos da promessa. Se nos feris, gritamos que nos perd…

O DILEMA DE TOMÉ

Redigida no dia 26 de agosto de 2014, dia de Santa Teresa de Jesus Jornet e Ibars e de Santa Micaela do Santíssimo Sacramento. Vigésima primeira semana do Tempo Comum.
Por Dartagnan da Silva Zanela
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Todos nós temos gravado em nossa alma algo dos doze. Se formos capazes de remover as traves de nossas vistas, poderemos reconhecer na pessoa de cada um dos doze apóstolos muitas de nossas falhas íntimas e, ao mesmo tempo, as virtudes que deveríamos realizar em nossa alma. E podemos perceber isso em diferentes proporções nas mais diversas combinações.
Doravante, para que tenhamos tal percepção, basta que, inicialmente, paremos de fingir que estamos analisando o texto bíblico, como normalmente fazemos, e permitamos que as suas santas palavras nos analisem. Basta que deixemos de querer avaliar as personagens presentes no Evangelho, como se fôssemos moral e espiritualmente superiores a elas, e nos coloquemos em nosso devido lugar. Em no…

Direção Espiritual: A importância do perdão

OS FILHOS DE CAIM

Redigida no dia 19 de agosto de 2014, dia de São João Eudes. Vigésima semana do Tempo Comum.
Por Dartagnan da Silva Zanela
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Quem muito quer parecer nega o ser. Esse é o problema fundamental presente no âmago do bom-mocismo que hoje impera em nossa sociedade que destoa, radicalmente, do bem.
Quando ouvimos as preleções politicamente corretas que são-nos repetidas freneticamente, quando somos obrigados a ouvir toda aquela surrada opereta, notamos que o que há, no fundo, de toda aquela aparente bondade não é o desejo de fazer o bem, mas sim, uma refinada forma de rancor camuflado sobre muitas camadas de postiças boas intenções.
Não é por menos que toda vez que uma alma toda imersa e cegada por clichês progressistas demonstram muito mais, em suas falas adocicadas, ódio por aqueles que destoam de seus pressupostos do que realmente uma sincera preocupação para com o próximo. Aliás, amar o próximo não se evidencia com palavras melosas.…

NO MUNDO DA LUA - reflexões e borrões – parte II

Por Dartagnan da Silva Zanela
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1.
Há que faça a defesa do indefensável. E como há. Mas o intrigante não é vermos uma pessoa realizar a defesa de algo repugnante como sendo equivalente ou mesmo superior a algo, de fato, louvável. Não mesmo. O questionamento que considero relevante é saber o que leva uma pessoa fazer isso. As repostas possíveis a essa pergunta, sim, considero relevantes. Se houver uma, poderemos compreender os seus fundamentos. Se não existir razão alguma, poderemos tentar compreender o que leva uma pessoa optar tão levianamente pelo grotesco e absurdo. Tentar porque, realmente, é difícil entender.

2.
O livro Imitação de Cristo, de Thomas de Kempis, é uma jóia preciosa. Dentre os preciosos tesouros que podemos colher com nossas vistas em suas laudas, temos esse que nos diz que: “Jesus tem agora muitos que amam o seu reino, mas poucos que gostem de carregar a sua cruz. Tem muitos que desejam consolação, mas poucos t…

QUE SIGA O CORTEJO

Redigida no dia 12 de agosto de 2014, dia de Santa Joana Francisca de Chantal, do Beato Amadeu da Silva e de Santa Beatriz. Décima nona semana do Tempo Comum.
Por Dartagnan da Silva Zanela
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Quando era mais moço, havia lido com muito gosto o livro “Sociedade sem Escolas” de Ivan Ilich. Com o tempo, outros livros de sua lavra acabaram caindo em minhas mãos para o deleite de meus olhos, porém, considero a obra apontada uma leitura fundamental para todo aquele que realmente se preocupa com a educação, com a formação das gerações mais tenras, de nós mesmos, e não apenas com questões de ordem corporativa ou, como ocorre em muitos casos, porque pega bem, hoje em dia, falar da importância da educação.
Se nós consideramos a educação uma prioridade, imagino que seja de bom tom que nos indaguemos sobre o estado em que se encontra a nossa. Se proclamamos aos quatro ventos que é de fundamental importância o cultivo duma boa formação humanís…

Padre Paulo Ricardo. Direção Espiritual: Como descobrir a minha vocação?

NO MUNDO DA LUA: reflexões e borrões – parte I

Por Dartagnan da Silva Zanela
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1. Não há educação sem regra. Não há. E quando falamos de regras não estamos nos referindo a um conjunto de normas institucionais que devem ser observadas com vista a garantir um saudável convívio entre os indivíduos. Refiro-me sim a necessidade de regras que são absorvidas pelo sujeito a fim de tornar-se, gradativamente, a mediatriz de sua conduta exterior e interior.
Só há educação, de fato, quando nós, humildemente, procuramos nos curvar diante do objeto de nossa apreensão e conhecimento. Por isso a necessidade duma regra para nos auxiliar nesse intento. Do contrário, o que acaba ocorrendo é o império de nossa soberba e vaidade que exige que os objetos se amoldem ao tamanho diminuto de nossa capacidade cognitiva, tão limitada por nossa parca vontade. Ou seja: não regrando nossa vontade, acabamos por desregrar nossa vida e, consequentemente, nossa formação.
Por isso que todas as ordens religiosas e…

Jesu, rex admirabilis, de Giovanni Pierluigi da Palestrina

TERRA ARRASADA

Escrevinhação redigida em 28 de julho de 2014, dia de São Vítor I e da Beata Maria Teresa Kowalska. Décima Sétima semana do Tempo Comum.
Por Dartagnan da Silva Zanela
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Em qualquer rincão que colocarmos nossos cansados pés, inevitavelmente ouvimos uma grande ladainha de queixumes quanto ao decrépito estado em que se encontra a administração pública em nosso país. Juntamente com esses colóquios, sempre temos a apresentação duma gama surreal de soluções para todos os azedumes que desgostam nosso paladar em relação à vida política na grande polis brasileira, e bem como nas inúmeras menores que lhe dão forma.
Os queixumes são justos. Praticamente incontestáveis são os males que assolam a sociedade brasileira que tem seu nascedouro nos mandos e desmandos dos timoneiros que estão à frente dessa nau desgovernada. Quanto às soluções, essas, em sua maioria, são verdadeiros tiros no escuro. Tiros no próprio pé, na maioria dos casos.
De min…

[pdf] São João Paulo II. Catequeses - Teologia do Corpo (1979 a 1984).