A ROSA DOS VENTOS

Por Dartagnan da Silva Zanela

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1.
  Querer dizer algo sem saber ao certo o que dizer... Pra que? Porque devemos dizer alguma coisa sobre algo que, até o momento em que fomos interrogados, não nos perturbava?

Por mais que recusemos, opinar é um vício, sim senhor. Um terrível vício que afeta mortalmente nossa capacidade cognitiva. Vício esse que é estimulado desde tenra idade e que cultivamos de maneira mui grata no correr dos anos de nossa vida.

Desde infantes falamos, e como falamos, sem nos perguntar, por um único instante, se realmente sabemos o que estamos dizendo. E se indagado somos sobre a substancialidade do dito, nos irritamos. Porém, logo voltamos ao deleite alucinante do opinar sem saber claramente sobre o que estamos parlando.

É por essas e outras que calar, muitas das vezes, é um salutar remédio. Calar, silenciar interiormente e perguntar-se: mas, o que realmente eu sei sobre isso? O quanto de tempo eu dediquei para conhecer o assunto? Por quanto tempo eu pensei sobre isso?

Sim, é chato, mas opinar sobre qualquer coisa sem ao menos ter tido o mínimo interesse em conhecer o que se está opinando é picaretagem da brava. Picaretagem essa que, literalmente, é o desporto número um dos bem e mal formados desse país. Enganam-se, redondamente, aqueles que pensam que é o futebol. Lamento.

2. 
Se você quer saber de que material é feito um sujeito, não pergunte como ele ganha a vida, mas sim, acompanhe-o nas atividades do seu tempo livre.

Sim, trabalhar é preciso e, na maioria das vezes, as pessoas não ganham a sua vida com um ofício que é, como direi, divertido. Os meios de ganhar o pão de cada dia, em sua maioria, são soturnos, rotineiros e, mesmo assim, esses devem ser realizados estoicamente como um dever moral sem chororó ou mamãe barriga me dói. Ponto. Essa é a tal da vida adulta e não tem lesco-lesco.

Dito isso, vamos em frente: o que fazemos em nosso tempo livre, diz muito a nosso respeito. Muitíssimo! Os temas de nossas conversas, os objetos de nossa curiosidade, as atividades, nossas companhias e os prazeres que desfrutamos nesses momentos são um retrato de altíssima resolução de nossa alma.

Por isso, é muito difícil levar a sério o que as pessoas, dum modo geral, falam a respeito dos caminhos e descaminhos de nosso país. Quando essas falas são confrontadas com o que é vivido no tempo ocioso desses indivíduos, tudo se revela demasiadamente postiço.

É isso. Há quem goste desse teatrinho e viva desse frívolo fingimento. Compreendo. Gosto é gosto, já dizia um garotinho comento gulosamente tatu. Eu, de minha parte, dispenso.

3. 
Devemos querer ser um bom exemplo para as jovens gerações? Não. Isso é muito forçado e artificial. Os jovens são inteligentes e não caem nessas lorotas. Devemos sim, nos esforçar para não sermos um mau exemplo. Em não sermos motivos de escândalo para os pequenos, como nos ensina a Letra do Evangelho.

Se esse esforço for sincero, será muito inspirador para aqueles olhares moços que são obrigados a testemunhar, quase que diariamente, tantos adultos agindo de maneira vil e degradante. Adultos esses que creem estar aproveitando o melhor da vida ao mesmo tempo em que a desperdiçam. E como desperdiçam...

Pax et bonum
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