PÁGINAS DUM AMARELADO DIÁRIO – parte III

Escrevinhação n. 1121, redigida no dia 03 de junho de 2014, dia de São Carlos Lwanga e companheiros mártires de Uganda e de Santo Ovídio.

Por Dartagnan da Silva Zanela


1.
É curioso o estranhamento manifesto por muitas almas, ditas cristãs, que ficam mui espantadas quanto alguém afirma que não devemos ser econômicos quando o assunto é oração.

Aliás, ficam mui indignadas por verem senhoras e senhores piedosos que ousam, inclusive, viver a devoção do Santo Rosário e serem capazes de rezar, num único dia, mil Ave Marias. Presumem ser  muito cultas e ilustradas para praticar algo, segundo elas, tão dispendioso assim. Tão cultas quanto católicas. Ou deviria dizer, tão caóticas quanto curtas?

Gostaria de apenas lembrar que nós, em nossa mesquinhez diária, não somos a medida da grandeza da cristandade nem mesmo um farol de orientação para ela. Todavia, a Sagrada Escritura o é e essa nos orienta para que oremos sem cessar (1 Tesalonissenses V; 17). Sem cessar.

A vida dos Santos, que viveram intensamente o Santo Evangelho e procuraram conformar seu coração ao coração de Nosso Senhor, também nos aponta para essa direção. É o caso, por exemplo, do Santo Padre Pio de Pietrelcina, que partiu para Jerusalém Celeste em 23 de setembro de 1968. Esse santo homem, enquanto esteve a caminhar por esse vale de lágrimas, rezava cinco Rosários por dia (15 terços diários).

Aliás, você sabe quem foi o Padre Pio de Pietrelcina? E também acha que rezar diariamente o Santo Terço é coisa de carola, desnecessária? Você, por acaso, é daqueles que sentem-se saciados com apenas uma Ave Maria diária e/ou uma prece espontânea? Entendo. E mesmo assim você se considera uma pessoa tão católica quanto o Padre Pio e tão culta quanto Santa Edith Stein? Tô sabendo. Ou, como diria minha pequena: Ah! intindi!

2.
Muitas são as causas da corrupção. Muitas mesmo. Por isso considero uma baita conversa pra boi dormir toda e qualquer campanha pela ética na política. Definitivamente, não vejo como se pode querer atacar e resolver um problema concreto apenas gritando palavras de ordem ocas em misto com a prática indecorosa do denuncismo vazio, tão oportunistas quanto ineficazes.

Das inúmeras causas que fomentam a corrupção moral – que antecede e dá sustentação a corrupção política – destacaria, como uma das principais, a nossa falta de generosidade. Sim, somos um povo faceiro, divertido, mas pouco generoso. Por exemplo: criticamos a pseudo-generosidade Estatal na forma de programas sociais. Programas esses que, no fundo, não passam de uma forma descarada de se fazer corte com o chapel alheio. Porém, poucos são os que, anônima e desprendidamente, são capazes de estender a mão ao próximo por amor a ele.

Até fazemos, de vez enquanto, alguma doação. Não para uma pessoa, mas sim, para uma e outra instituição caritativa. E o fazemos tendo em vista não o bem inerente ao ato, mas sim, a possibilidade de podermos obter um abatimento em nosso Imposto de Renda.

Pois é. E por esse trilho segue o andor de nossa falta de generosidade.

E por que agimos assim? Porque cremos que tudo o que temos e somos é mérito único e exclusivo nosso. Porque é nosso direito e pronto. Em nenhum momento nos ocorre que todo aquele que tem alguma posição vantajosa na sociedade, merecida ou não, automaticamente tem alguma obrigação moral para com aqueles que padecem algum tipo de infortúnio.

E como a regra geral no Brasil é fazermo-nos de Pilatos, de vez enquanto, colocamo-nos a marchar pelas ruas em protestos furibundos para fingir indignação ao mesmo tempo em que as raposas felpudas, de todas as pelagens, fingem ser generosas para com os desvalidos que, por sua deixa, fingem gratidão.

Pax et bonum
Blog: http://zanela.blogspot.com
e-mail: dartagnanzanela@gmail.com.br

Comentários