FRAGMENTOS DUM DIÁRIO – parte II

Escrevinhação n. 1119, redigida no dia 31 de maio de 2014, dia de São Raimundo Nonato.

Por Dartagnan da Silva Zanela

1. 
As palavras, em nossa sociedade, pouco dizem. Pra falar a verdade, praticamente, nada dizem. Não que elas não tenham lá o seu valor. Longe de mim afirmar algo assim!

A pouca valia se encontra ou naqueles que a utilizam para dizer algo, sem saber o que dizem; ou nos indivíduos que fingem ouvir o que está sendo dito; ou em ambas as partes que se jubilam por estarem imersos em sua própria loucura, sem estar cônscios disso. Demência frutificada duma fingida impostura que, de certo modo, tornou-se a segunda pele destes indivíduos.

São tantas as camadas de fingimento que são superpostas às palavras ditas e escritas que estão a circular que fica realmente difícil saber se realmente há alguém que esteja, de fato, disposto a encarar a verdade. Qualquer verdade.

Se as palavras transpirassem sinceridade, a verdade se apresentaria sem cerimônias. Porém, pobres letras, se vêem mal trajadas com os andrajos do fingimento histriônico e, por isso, acabam por refletir apenas a torpeza e a miséria das sebosas almas que não sabem dispor delas.

2.
A liberdade é uma ânfora. Cara e frágil. Na maioria das vezes as pessoas que usufruem dela desconhecem o seu real valor e quão delicada a mesma é.

E por estarem imbuídos dessa ignorância, voluntária ou não, cinicamente desprezam o seu valor. Pior! Confundem-na com a tirania e, em muitíssimos casos, trocam-na por essa, como se ambas fossem a mesma coisa. Nos piores casos, projeta-se na segunda a imagem das virtudes que apenas são possíveis quando vivemos na esfera de ação que nos é delimitada pela primeira.

Tendo isso em vista, compreende-se porque o brasileiro, dum modo geral, não sabe o que é a liberdade, não dá a menor importância a sua preciosidade e está disposto a trocá-la por qualquer ninharia desde que ele possa sentir-se bem por alguns momentos apenas. Ponto.

Enfim, por essas e outras que a soma de vários umbigos não faz uma nação. Por essas e outras que um amontoado de egoísmos reunidos não tem a dignidade dum solitário indivíduo que faz da liberdade o seu quinhão.

Pax et bonum
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