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Mostrando postagens de Junho, 2014

NÃO FAZ PARTE

Exigir da alma indolente
Que viva de maneira razoável
Para trabalhar de forma descente
É, para ela, uma ofensa imperdoável.

Surta e fica bravo
Indignado com tal pedido
Ficando mortalmente ofendido
Com a mera possibilidade desse fato.

Ser prestativo não é seu intento
A dignidade não integra o seu vocabulário.
E bondade, somente se for fingimento

Porque o indolente cumpre o seu horário
Gosta, e muito, do seu bom salário.
Mas trabalhar não faz parte do seu itinerário.

Dartagnan da Silva Zanela

Litaniae de Sacratissimo Corde Iesu

O BREJO RUBRO

A vaca está indo pro brejo
Para o brejo da revolução
Que destrói a paisagem que vejo
E corrompe tudo até o chão.

Para o brejo a vaca está indo
No atoleiro o país se encontra
E por isso os loucos estão rindo
Da obra que aos lúcidos assombra.

Os comunas infernais estão no poder
E dele não querem, de modo algum, sair
Porque eles sabem que está por nascer

Aqueles que estão dispostos a destruir
O delírio totalitário por eles edificado
Desde os rincões até o Paço do Planalto.

Dartagnan da Silva Zanela em 23 de junho de 2014.

OBSERVAÇÕES FUTEBOLÍSTICAS, OU QUASE

Por Dartagnan da Silva Zanela

A Copa é um espetáculo que agrada o gosto de muitos. Não é o meu caso. Desde pequeno, o futebol, paixão nacional, nunca teve lugar no bojo de minhas simpatias. Confesso: não sei o que é sofrer pelo desempenho dum time ou ficar agoniado com uma partida da seleção.
Tal desafeto não tem nenhuma justificação filosófica, muito menos uma motivação política. Apenas, lamentavelmente, o desporto que tanto empolga meus patrícios nem de longe me cativa. Entretanto, mesmo assim, penso que alguns acontecimentos que foram encenados nesta edição da Copa do Mundo merecem ser objeto de reflexão.
O primeiro é a multidão nas arquibancadas cantando furiosamente o hino nacional. Multidão e jogadores que continuaram cantando o hino mesmo após o término da execução instrumental dum fragmento do mesmo. Aquilo ecoava no estádio e nos átrios dos corações. Vi, pela telinha, esses momentos e confesso: meus olhos marejaram em lágrimas e minha garganta engasgou.
Lembro-me que, quando men…

ENTRE MISTÉRIOS OBSCUROS E LUMINOSOS

Por Dartagnan da Silva Zanela

Quem deseja conquistar o poder, primeiramente, peleja para reescrever a história de acordo com o tom e ritmo que lhe seja mais apropriado para a execução de seu plano de assalto.
Consegue-se, com muito lavoro, impregnar o imaginário societal com determinadas imagens e jargões que são popularizados através do sistema de ensino, publicações jornalísticas e produções artísticas, televisivas e cinematográficas. Tal impregnação comumente é chamada por muitos de história oficial. De nossa parte, prefiro referir-me a essa prática como construção duma história convencional.
Ora, uma coisa é você querer, com sinceridade, investigar as escaramuças que deram forma a tessitura de nossa sociedade. Outra coisa é repetir um amontoado de jargões e cacoetes mentais sobre as mesmas. Repetição essa que mui bem encobre a inconfessa preguiça cognitiva dos repetidores.
Quando agimos dessa forma, inevitavelmente reduzimo-nos a reles marionetes nas mãos daqueles que colocaram esses…

O MENTIROSO

A mentira pernas curtas tem
Mas são tantas... pra mais de cem...
Ela tropica e vai em frente
Fazendo pouco caso de toda gente
Muito mais do trabalhador inocente
Que imagina, candidamente,
Haver em seu filho indecente,
O mentiroso, uma alma descente...
Mas não! Infelizmente,
Ele é apenas um vulgar indolente.

por Dartagnan da Silva Zanela, em 16 de junho de 2014.

NOTAS DUM DIÁRIO QUE JAMAIS FOI ESCRITO

Por Dartagnan da Silva Zanela

1.  Há uma passagem duma obra da lavra de Joaquim Nabuco onde o mesmo nos diz: “Vede como é grande a bondade do Cristo, — as sobras de um coração gasto pelos desejos lhe parecem mais dignas ainda e sua aceitação do que a alvura de uma vida irrepreensível. Para isso, porém, foi preciso que o horror de si mesmo irrompesse das profundezas do ser, tal uma lava de arrependimento, transformando nodoas e impurezas em chama ou em fogo... Esses vulcões do coração alcançam uma grandeza incomparável nas Vidas dos Santos; dominam dali as vidas tranquilas que correm mansamente dentro dos vales que se poderiam denominar o vergel de Deus. Já hoje não aparecem desses arrependimentos ardentes. Arrastamos farrapos de alma”.
E assim vivemos hoje, muito mais do que ontem. Somos esfarrapadas almas. Cansadas. Envelhecidas e insistimos em fingir mocidade como se a meninice perene fosse uma excelsa qualidade.
Imaginamos que a plenitude que um ser humano pode realizar seria uma vid…

[mp3] ATENÇÃO

Comentário radiofônico proferido no dia 05 de junho de 2014 na Cultura AM.

MUITO ALÉM DO HORIZONTE

Escrevinhação n. 1122, redigida no dia 11 de junho de 2014, dia de São Barnabé.
Por Dartagnan da Silva Zanela

As nuvens nublaram o céu. O horizonte está brusco e torna nosso semblante plúmbeo sobre nossos olhos que marejam e transbordam diante do que veem feito os córregos, riachos e rios que dançam pelas cicatrizes do solo.
As nuvens nublam o céu e nos lembram que não somos tão autossuficientes como cremos ser. No dia a dia, com nossa face banhada pelas luzes da normalidade, imaginamos que nosso caminhar é independente, senhor de si. Porém, quando as nuvens nos miram, sem sorrir ou gracejar, somos pegos de assalto. Não tanto pelo derramar de sua torrente, mas pela nossa fragilidade tão bem disfarçada pelas fantasias cotidianas.
Na verdade, nosso horizonte fica nublado com muito pouco. Não carece muito. Pouca é a nossa real independência. Parco é nosso poderio. Sim, imaginamo-nos insuperáveis e, em certos momentos, somos lembrados que somos apenas aquilo que somos: reles mortais.
E se as…

[mp3] AS EXIGÊNCIAS DO AMOR

Comentário radiofônico proferido no dia 04 de junho de 2014 na Cultura AM.

APENAS UMA REFLEXÃO...

“É bastante insignificante ser popular ou impopular. Para todo membro do clero, o seu primeiro interesse deveria ser o de ser popular aos olhos de Deus e não aos olhos do mundo de hoje ou dos poderosos. Jesus alertou: ‘Ai de vós, quando vos louvarem os homens.’ Popularidade é algo falso… Os grandes santos da Igreja, como, por exemplo, Thomas More e João Fisher, rejeitaram a popularidade… aqueles que hoje em dia estão preocupados com a popularidade dos meios de comunicação e a opinião pública… serão lembrados como covardes e não como heróis da Fé.” (Dom Athanasius Schneider)

PÁGINAS DUM AMARELADO DIÁRIO – parte III

Escrevinhação n. 1121, redigida no dia 03 de junho de 2014, dia de São Carlos Lwanga e companheiros mártires de Uganda e de Santo Ovídio.
Por Dartagnan da Silva Zanela

1. É curioso o estranhamento manifesto por muitas almas, ditas cristãs, que ficam mui espantadas quanto alguém afirma que não devemos ser econômicos quando o assunto é oração.
Aliás, ficam mui indignadas por verem senhoras e senhores piedosos que ousam, inclusive, viver a devoção do Santo Rosário e serem capazes de rezar, num único dia, mil Ave Marias. Presumem ser  muito cultas e ilustradas para praticar algo, segundo elas, tão dispendioso assim. Tão cultas quanto católicas. Ou deviria dizer, tão caóticas quanto curtas?
Gostaria de apenas lembrar que nós, em nossa mesquinhez diária, não somos a medida da grandeza da cristandade nem mesmo um farol de orientação para ela. Todavia, a Sagrada Escritura o é e essa nos orienta para que oremos sem cessar (1 Tesalonissenses V; 17). Sem cessar.
A vida dos Santos, que viveram inten…

[mp3] É FALTA DE EDUCAÇÃO MESMO...

Comentário radiofônico proferido no dia 03 de junho de 2014 na Cultura AM.

SILÊNCIO E CANJA DE GALINHA

Escrevinhação n. 1120, redigida no dia 03 de junho de 2014, dia de São Carlos Lwanga e companheiros mártires de Uganda e de Santo Ovídio.
Por Dartagnan da Silva Zanela

Não sou uma pessoa de muita prosa. Tal afirmação, vinda dum sujeito que vive do uso da palavra, escrevinhada e falada, pode até parecer estranha, mas não é não. Estranho, pra falar a verdade, é a compulsiva necessidade que muitas pessoas têm de falar o tempo todo sobre qualquer coisa duma maneira qualquer.
Sim, conversar é bom. Porém, para que o assuntar seja proveitoso é interessante que se tenha, primeiramente, algo que mereça ser objeto duma conversação. Caso contrário, uma boa dose de silêncio e recolhimento não faz mal pra ninguém. Pelo contrário! É uma prática de salutar importância. Prática desdenhada pela sociedade atual.
Em regra, imaginamos que todas as sociedades em todas as eras, em todas as esferas, eram tomadas por elementos tagarelantes, tal qual testemunhamos hoje, em nossa época. E, de fato, é um sério pr…

[mp3] QUEM PODERÁ NOS DEFENDER?

Comentário proferido no dia 02 de junho de 2014 na Cultura AM.

FRAGMENTOS DUM DIÁRIO – parte II

Escrevinhação n. 1119, redigida no dia 31 de maio de 2014, dia de São Raimundo Nonato.
Por Dartagnan da Silva Zanela
1.  As palavras, em nossa sociedade, pouco dizem. Pra falar a verdade, praticamente, nada dizem. Não que elas não tenham lá o seu valor. Longe de mim afirmar algo assim!
A pouca valia se encontra ou naqueles que a utilizam para dizer algo, sem saber o que dizem; ou nos indivíduos que fingem ouvir o que está sendo dito; ou em ambas as partes que se jubilam por estarem imersos em sua própria loucura, sem estar cônscios disso. Demência frutificada duma fingida impostura que, de certo modo, tornou-se a segunda pele destes indivíduos.
São tantas as camadas de fingimento que são superpostas às palavras ditas e escritas que estão a circular que fica realmente difícil saber se realmente há alguém que esteja, de fato, disposto a encarar a verdade. Qualquer verdade.
Se as palavras transpirassem sinceridade, a verdade se apresentaria sem cerimônias. Porém, pobres letras, se vêem mal…

[mp3] O CATOLICÃO

Comentário radiofônico proferido no dia 30 de maio de 2014 na Cultura AM.

Hangout Prof. Olavo de Carvalho & Prof. Luiz Gonzaga de Carvalho Neto

[mp3] SEMENTES DE VIDA ETERNA

Comentário radiofônico proferido no dia 29 de maio de 2014 na Cultura AM.

[mp3] NÃO SABEMOS O QUE ESTAMOS FAZENDO

Comentário radiofônico proferido no dia 28 de maio de 2014 na Cultura AM.