QUASE CEM ANOS

Redigida no dia 13 de maio de 2014, dia da primeira aparição de Nossa Senhora em Fátima.

Por Dartagnan da Silva Zanela


O dito popular, repetido pelas mães aos seus filhos travessos, que afirma que cabeça parada é oficina do capeta deve ser acrescido duma vírgula e dum ponto: cabeças mal ocupadas também o são, porém, ao quadrado.

Digo isso, pois considero curioso o fato de que mais e mais vemos almas, gentis ou não, desperdiçando seu precioso tempo livre com as ocupações mais estapafúrdias. Tempo esse que acaba fluindo remanso abaixo no vale da automutilação gratuita.

Não são poucas as horas, estrebuchado num sofá, diante da televisão. Outras tantas tropicando pelas redes sociais e, algumas mais, vagando, sem eira nem beira, deleitando-se com vídeos e sites no mínimo banais (para não recorrer ao uso de nenhum outro adjetivo).

Se formos francos, reconheceremos que em nosso dia a dia temos a nossa disposição uma significativa porção de tempo que, literalmente, apenas utilizamos para nos degradar gradativamente, feito sapo numa panela d’água sendo esquentada lentamente.

Por essas e outras que nossas mães tinham toda razão quando nos advertiam. E, por esse mesmo motivo, São Bento, em sua pia regra, orientava a todos os seus filhos espirituais para que firmassem seu passo em três colunas básicas: rezar, estudar e trabalhar para manter o corpo e a alma ocupados de maneira sadia e vigilante contra os sutis assédios do inimigo.

Infelizmente, não está em voga tal observância. O que está em alta, de fato, entre nós, é o auto-regramento sem regra alguma além de nossos momentâneos desejos.

Trabalha-se por que é necessário pagar nossos débitos e cultivar nossas extravagâncias, se possível for. Estuda-se para atender uma demanda legal e mercadológica. Reza-se, o mínimo possível, para garantir, como direi, um leviano desencargo de consciência. Um Pater Noster e uma Ave Maria por dia e pronto. Dever comprido.

Ora, as três atividades apontadas perderam totalmente seu edificante sentido frente à vida banal por nós vivida nos dias atuais. Tamanho é o materialismo/relativista reinante que vemos o trabalho, o estudo e a oração como meras práticas sociais que tem por vistas atender tão somente uma reles função externa ao nosso ser.

Por essas e outras que fico muitas das vezes, cá com meus botões, pensando, nas mensagens marianas, em especial, na que foi proferida em Fátima, Portugal, no começo da centúria passada. A Virgem Santíssima pediu a todos nós para arrependermo-nos de nossos pecados, convertermo-nos, entregarmo-nos a penitência e rezarmos, diariamente, o Santo rosário. Pelo visto, tal pedido não foi acatado por muitíssimos corações, da mesma forma que ignoramos a relevância do velho conselho de nossas mães, haja vista que a ímpia regra geral, para muitos, é regra nenhuma.

Pax et bonum
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