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Mostrando postagens de Abril, 2014

UM GENERAL SEM DIVISÕES

Escrevinhação n. 1111, redigida no dia 30 de abril de 2014, dia de São Pio V e de São José Bento Cottolengo.
Por Dartagnan da Silva Zanela

Provavelmente, uma das imagens mais dolorosas do início deste milênio foi a da última aparição pública de João Paulo II quando esse, debilitado pela sua enfermidade, tentou proferir sua benção. A voz não saiu. Mas seu coração falou através dum gesto. Pouco tempo depois ele veio a descansar no Senhor.
Mas quem foi esse homem vindo de terras distantes e que peregrinou por distantes terras? Foi, ao mesmo tempo, um herói de nossa era e um Santo de todos os séculos que nos deixou através de seus escritos e atitudes uma fonte inexaurível de inspiração para lutarmos o bom combate.
Obviamente que não temos como retratar nestas mirradas linhas tudo o que ele foi e quem ele é. Porém, esse parvo escrevinhador ousa rabiscar alguns traços sobre sua pessoa.
Ele era profundamente preocupado com o padecimento das vítimas da fome, das guerras e do totalitarismo. Ele m…

A fraude intelectual da reforma ortográfica da Língua Portuguesa

PRONTUÁRIO DE INTERNAÇÃO

Escrevinhação n. 1110, redigida no dia 22 de abril de 2014, dia de São Sotero e de Santa Senhorinha.
Por Dartagnan da Silva Zanela

Tudo mundo declara ser uma cândida alma preocupada com a educação. É coisa linda de ver. Todavia, o que torna a situação esquisita é vermos que essas ilações de salão não apresentam fruto algum. E não dão porque essas encenações não passam de pose de bom-mocismo afetado de sujeitos que, no fundo, nunca tiveram nem mesmo apreso pela sua própria educação.
Se não, vejamos: façamos um breve exame de nossa ação educadora. Todos, gostemos ou não, somos pontos irradiadores duma conduta humana possível. Podemos até nos desagradar com essa idéia, porém, mesmo assim, a nossa maneira de viver é um ícone do que um infante deve fazer para ser reconhecido como um adulto.
Vale lembrar que tanto adultos como infantes, tem uma relativa dificuldade em concentrar-se numa contínua, ou fragmentária, exposição oral. Alguns se dedicam na ampliação dessa capacidade, outras tantas, …

MAIS UMA VOZ QUE SE CALA

Escrevinhação n. 1108, redigida no dia 15 de abril de 2014, dia de Santa Anastácia e Santa Basilissa.
Por Dartagnan da Silva Zanela

Grandes nações são forjadas por grandes homens. Aliás, não se tem como fundar a magnificência em colunas de mesquinhez. Infelizmente, quando volvemos nossas vistas para o presente, a grandeza de espírito vê-se não apenas minguada em nossas terras, mas também, e principalmente, vexada quando ousa manifestar-se. Em nossos tristes trópicos essa é a regra.
Pior! Quando reconhecemos uma alma valorosa e pensamos que essa irá imprimir destemidamente seu nome nos umbrais da história, erramos. Ficamos vagando pelo ermo, desenganados. Não estou a referir-me aqui a uma decepção. Não mesmo. A grandeza não falta ao senhor ao qual me refiro sem nominar. Ele a tem de sobra. Refiro-me sim ao silêncio auto-impingido por um grande intelectual que preferiu abraçar o anonimato junto a sua família ao invés de travar pelejas com seu tinteiro e pena na arena pública.
Não o censur…

ESTRANHAS LETRAS

Escrevinhação n. 1107, redigida entre os dias 11 de abril de 2014, dia de Santa Gema Galgani, de Santo Estanislau e da Beata Elena Guerra, e 15 de abril de 2014, dia das Santas Anastácia e Basilissa.
Por Dartagnan da Silva Zanela

1.  Dia após dia, vejo-me diante do pálido reflexo da minha imagem que me é apresentada pelo tosco espelho de meu viver. E neste reflexo, o que vejo além da imagem alva? Pouca coisa. Quase nada. Praticamente nada que valha algo.
Vejo apenas um rapaz envelhecido, de passos cambaleantes, que sepultou suas ilusões e sonhos nos distantes ermos que foram encontrados na trilha de sua caminhada.
Dia após dia, vejo-me ainda a caminhar, silencioso, por entre sombras alucinadas que me assombram com sua loucura travestida de realidade. Sombras que tentam, diariamente, convencer-me de que minha jornada é uma peregrinação sem prumo. Plúmbeas sombras que se arrastam em meu entorno com seus delírios de superioridade.
Por fim, dia após dia, enxergo com clareza, o reflexo pálido…

É DE BRANQUEAR OS CABELOS

Escrevinhação n. 1106, redigida no dia 18 de março de 2014, dia de Santo Eduardo e de São Cirilo de Jerusalém.
Por Dartagnan da Silva Zanela

Nós conseguimos realizar a façanha das façanhas na história da humanidade! Nessas terras de Tupinambás, conseguimos, como nos lembra o filósofo Olavo de Carvalho, a opressão sem ordem social, o autoritarismo sem segurança, o caos sem liberdade e a indefinição sem mobilidade. Tudo junto e misturado essa é a cara escarrada de nosso grande legado para todas as gentes.
E o pior de tudo é que não são poucas as vozes que afirmam, descrentes, que isso tudo é normal, como também não são minguados lábios que festejam tal situação devido ao grande potencial de transformação social que elas vêem no referido quadro.
Confesso: não sei o que iniciou primeiro, se a desordem reinante na realidade externa à alma ou se confusão que impera nela. Talvez, uma e outra, se alimentem juntas da mesma alucinação. Quem sabe? Digo apenas que uma sociedade que acha normal o ac…