NOTAS SOBRE EDUCAÇÃO

Escrevinhação n. 1092, redigida no dia 03 de fevereiro de 2014, dia de São Bras.

Por Dartagnan da Silva Zanela

1. 
Lemos na Ciropédia, de Xenofonte, uma passagem digna de partilha. Nestas páginas, entre outras coisas, é-nos narrado que Ciro, que quando adulto passou a ser conhecido como “o grande”, em seus tempos infantis dedicar-se especialmente nas atividades em que ele não era exímio, atividades em que ele sentia-se realmente fraco.

Xenofonte conta-nos também que quando Ciro era derrotado numa competição ou ficava muito aquém do mínimo esperado dum garoto de sua idade, ele ria de si, de sua derrota, e não hesitava em tentar uma segunda, terceira, quantas vezes fosse necessário para poder superar as suas dificuldades e limitações.

Perseverança, superação, fortalecimento da vontade e, acima de tudo, bom humor perante as quedas e derrotas impostas pelas circunstâncias da vida. Eis aí algumas lições simples que todo estudante, adulto ou infante, deve ter em vista para fazer de seus estudos algo mais significativo do que apenas um reles cumprimento de obrigações curriculares.

2. 
Sérgio Paulo Rouanet, em seu livro “A razão cativa”, diz-nos, com a elegância que lhe é peculiar que, segundo Sto. Tomás de Aquilo, os apetites sensíveis podem ser um dos motores indiretos da vontade. Na medida em que estes a perturbam, inevitavelmente acabam por condicionar e desviar o que seria o motor primeiro: a inteligência.

Na maioria das vezes os apetites sensíveis estão em conflito com os ditames da inteligência e é nessa tensão que exercitamos a faculdade da vontade quanto sobrepomos a segunda às pulsões da primeira.

Tal exercício não é, de modo algum, confortável. Mas apenas deste modo conseguimos crescer enquanto indivíduo. Somente assim nos tornamos capazes de nos libertar dos grilhões da imaturidade, intelectual e emotiva, para atingirmos a realização de nossa personalidade.

Entretanto, o que ocorre em nossa sociedade, dum modo geral, é o inverso. A realização dos apetites, desejos e quereres estão em primeiro lugar com vistas a ter a sua realização em curto prazo.

Resumindo: tudo é válido em nome dos mais egoísticos e mesquinhos interesses desde que sejam [mal] disfarçados sob as mais variadas máscaras dos inúmeros coletivos sociais em voga.

3. 
Em 02 de fevereiro de 2014, o Papa Francisco, em sua homilia por ocasião da Festa da Apresentação do Senhor e Dia Mundial da Vida Consagrada, afirmou que:

"Deixemos, em vez disso, que o Espírito Santo anime ambos, e o sinal disto é a alegria: a alegria de observar, de caminhar em uma regra de vida; e a alegria de ser guiados pelo Espírito, nunca rígidos, nunca fechados, sempre abertos à voz de Deus que fala, que abre, que conduz, que nos convida a seguir para o verdadeiro horizonte. Faz bem aos idosos comunicar a sabedoria aos jovens; e faz bem aos jovens acolher este patrimônio de experiência e de sabedoria, e levá-lo adiante, não para protegê-lo em um saco, mas para levá-lo adiante enfrentando os desafios que a vida nos apresenta, levando adiante pelo bem das respectivas famílias religiosas e de toda a Igreja”.

É isso! Palavras tão simples quanto certeiras. Porém, há uma pergunta que não quer calar: quem irá parar para ouvir os anciões? Quem irá tirar os fonezinhos dos ouvidos para, respeitosamente, ouvir o que as pessoas mais vividas tem a dizer? Quem irá tirar os olhos embasbacados da tela do celular, ou do brinquedinho similar que o escraviza, para mirar na presença vívida daqueles que um dia também já foram jovens? Quem?

Pois é, se não ouvimos o semelhante mais velho, como iremos ouvir e nos abrir a Cristo?

Pax et bonum
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