DUAS REFLEXÕES NOVELESCAS

Escrevinhação n. 1093, redigida no dia 04 de janeiro de 2014, dia de São João de Brito.

Por Dartagnan da Silva Zanela


Uma telenovela de sucesso sempre vem junto com os círculos de trololó. Círculos esses que tomam como ponto de prosa as bandeiras politicamente-corretas que são indiscretamente propagandeadas em seus capítulos. Bandeiras que são estrategicamente apresentadas no folhetim televisivo, diga-se de passagem.

Por isso, vale lembrar que toda ação, antes de ser desencadeada, deve estar presente no imaginário social para os indivíduos poderem concebê-lo como possível. E esse é o papel das telenovelas na transmutação da sociedade brasileira.

Dito isso, partamos para o ponto que gostaria de rascunhar nessas linhas: a personagem Félix da telenovela Amor a Vida. Sujeitinho interessante ele. Jogou a sobrinha no lixo quando recém nascida para garantir a sua herança e mais tarde mandou seqüestrar a mesma infante. Corrupto. Internou a irmã num manicômio para poder garantir o seu tão desejado cargo na diretoria do hospital de seu pai e por aí seguiu o andor. Doravante, perde tudo, vai vender hot dogs com uma imensa flor na cabeça e, ao final acaba tornando-se uma pessoa cândida dando conselhos edificantes para todos.

Sim, sei que todos sabem disso, inclusive com riqueza de detalhes, porém, certa feita, uma moça perguntou-me, com grande sinceridade: “você acredita que uma pessoa como ele, o Félix, possa mudar tanto assim”? Não sei a quantas pessoas essa pergunta ocorreu. De minha parte, confesso, considero uma excelente pergunta. Pode uma pessoa cruel, como a personagem em questão, mudar da água para o vinho? Pode um psicopata tornar-se uma alma pia, preocupada com a vida dos seus, dando demonstrações inequívocas de amor e generosidade?

Não porque creio que os seres humanos sejam plenamente capazes de mudar simplesmente porque sofreram um revês na vida. Aliás, diante de um revês podemos ter as mais variadas reações, tanto benévolas quanto malévolas. Creio sim, que a Providência Divina age em nossas vidas e a Ela tudo é possível, inclusive transformar um monstro num santo. Fora disso, tal transubstanciação parece-me improvável.

Aliás, todos nós, em nossa vida, conhecemos muitas pessoas ruins. Provavelmente algumas que deixariam o moço citado no chinelo. Dessas, quantas mudaram radicalmente? Quantas, porventura, que tiveram seu coração transubstanciado, o fizeram sem entregar-se a Deus? Novelescamente falando, esse é o ponto, criatura. O resto é mera propaganda de causas politicamente-corretas.

Pax et bonum
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