DIÁRIO ANTI-SOCIAL

Escrevinhação n. 1096, redigida entre os dias 14 de fevereiro de 2014, dia de São Cirilo e São Metódio, e 17 de fevereiro de 2014, dia do Beato Lucas Belludi e dos Santos Fundadores da Ordem dos Servitas.

Por Dartagnan da Silva Zanela


1. 
Uma hora de estudos equivale à uma hora de oração. Assim nos ensina São Josémaria Escrivá. Estudar, orar e trabalhar são recomendações a muito dadas por São Bento. Ambas são indispensáveis a todos e não adiante fazer beicinho.

A sociedade contemporânea oferece a todos nós, diuturnamente, inúmeras ocasiões de ócio devidamente preenchido com toda ordem de futilidades. A variedade é imensa e os convites para entregarmo-nos a elas são por demais tentadores.

Por isso mesmo, orar, laborar e estudar não é apenas uma via para nos auto-disciplinar. Mais que isso, tal regra é um escudo de defesa contras as insídias vulgares que nos são atiradas pela grande mídia e pelos círculos de convivência.

E, enfim, uma hora de estudo diário, recolhido no silêncio de nosso interior, seja no ermo duma praça, na inquietação duma estação rodoviária, no marasmo dum ônibus, no tumulto duma recepção, ou mesmo que seja uma hora de estudos diário realizada de maneira fragmentária, é um doce refúgio.

2. 
Uma semana amarga essa que findou. Amarga, mas não por causa dos semelhantes que tão gentilmente aturam minha ranhetice, mas sim, devido a uma dor de cabeça que não queria, e não quer, me largar. A bichinha se apegou a mim dum jeito que chega dar raiva. 
Na sexta-feira e no sábado tivemos nossos melhores momentos. Eu e ela, a dita dorzinha, afundamos juntos numa alcova sombria. Nestas horas todos os pensamentos ficaram confusos. Tentei ouvir uma palestra via youtube. Sem chance. Ler uma coluna, nem pensar. Um livro, menos ainda. O negócio era apelar para um narcótico pesado para inebriar-me. Apelei para uma telenovela.

Ah! Como Deus é generoso e a natureza uma sábia criatura! Fui salvo desse ato de bestialização voluntária! Bastaram alguns minutos acamado diante da tela global para que logo caísse em berço esplêndido. Não vou dizer que foi um santo remédio, porém, o sono tão desejado embalou as meninas de minhas vistas.

Entretanto, o pouco que vi, foi suficiente para acabrunhar-me, tamanha a miséria moral que é semeada e cultivada no imaginário nacional.

3. 
Compreendo que uma telenovela é um produto de nossa época, como também sei que tais produções são bens culturais. Tô sabendo. Mas cultura é um meio e não um fim em si mesmo. É um instrumento através do qual entramos em contato com valores, com possibilidades humanas que podem ser, em alguns casos, dignas, e noutros, absurdas. Cônscios disso, pergunto: quais os fins que esse tipo de produção cultural tem por intento realizar? Quais são as possibilidades humanas que nos são apresentadas sem a menor cerimônia? Quais? É aí que a coisa fede.

4.
Ensina-nos o Papa Emérito Bento XVI que devemos permanecer na fé, sempre. Diz-nos ele que “[...] as palavras de Jesus: ‘Se me tendes amor, cumprireis os meus mandamentos, e Eu apelarei ao Pai e Ele vos dará outro Paráclito para que esteja sempre convosco, o Espírito da Verdade’ (Jo XIV, 15-17a). Nestas palavras, Jesus revela o profundo vínculo que existe entre a fé e a profissão da Verdade divina, entre a fé e a dedicação a Jesus Cristo no amor, entre a fé e a prática da vida inspirada nos mandamentos”.

5.
Na sociedade atual, quando alguma voz ousa nos lembrar da presença vivificante da Verdade, logo é retrucada com toda ordem de trocadilhos relativistas. Sobre esse ponto, Joseph Ratzinger, numa homilia proferida em 2006, nos lembra que: “como nos séculos passados, também hoje há pessoas ou ambientes que, ignorando esta Tradição plurissecular, gostariam de falsificar a palavra de Cristo e tirar do Evangelho as verdades que, na sua opinião, são demasiado incômodas para o homem moderno”.

Por isso, tendo isso em vista, somos todos convidados a “[...] confrontar incessantemente as [nossas] convicções pessoais com os preceitos do Evangelho e da Tradição da Igreja no compromisso de permanecer fiel à palavra de Cristo, mesmo quando ela é exigente e humanamente difícil de ser compreendida. Não devemos cair na tentação do relativismo ou da interpretação subjetivista e seletiva das Sagradas Escrituras”.

Pax et bonum
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