POR UMA CRÍTICA DA RAZÃO CURTA

Escrevinhação n. 1088, redigida no dia 21 de janeiro de 2014, dia de Santa Inês.

Por Dartagnan da Silva Zanela


Uma sociedade democrática deve ter em seu bojo grupos políticos tanto de direita como de esquerda. Quesito que o Brasil encontra-se mui distante. Sim, nessas terras cabralinas temos a presença de partidos de centro-esquerda, esquerda, extrema-esquerda e, todos eles, tingidos nos mais variados tons de vermelho de ideologia marxista. Agora, quanto aos partidos de direita, defensores de princípios conservadores ou duma política liberal, inexistem.

O que se convencionou chamar de destra em nosso país é o atraso. Isso mesmo! Tudo o que representa o clientelismo, o fisiologismo, o mandonismo e demais hostes. Por isso, em nosso país, termos como direita, conservador ou liberal são tidos como insulto, haja vista que aqueles que detêm a rubra-hegemonia, com uma estratégia de ação em longo prazo, acabam por estereotipar qualquer visão de mundo contrária à sua.

Ora, sejamos francos: quem no meio intelectual, letrado e nos círculos políticos, discute, por exemplo, as obras de Edmund Burke, Russell Kirk, Eric Voegelin? Quem nessas esferas lê as obras de Murray Rothbard, Ludwig Von Mises e Friedrich Hayek? Intelectuais conservadores e liberais neste país são ilustres desconhecidos e, quando lembrados, o são para ser escarnecidos devido a ocupação de espaços realizada pela intelectuária canhota.

Quanto ao fisiologismo, que não é direita política em canto algum do mundo, pode e é muito bem utilizado por qualquer um. Por oportunistas de ocasião ou por estrategistas gramscianos que, por sua deixa, são exímios interpretes de Maquiavel. 

É claro que os mandonistas julgam-se espertos, feito raposas. Todavia, no jogo político atual, mais do que em épocas pretéritas, esse tipo de agente político não passa dum mero instrumento nas mãos daqueles que tem objetivos muito mais amplos que uma reles vantagem eleitoreira na forma de cargos e facilidades.

Não é uma questão de gosto ou simpatia, mas aquele que tem um projeto de poder de longo prazo sempre capitaliza todos os projetos de curto prazo para a realização do seu. Neste caso, um amontoado de lideranças políticas sem princípios é facilmente instrumentalizada por aqueles que vêem o jogo político muito além duma roleta quadrienal porque seu projeto de poder é muito maior que isso. Resumindo: no frigir dos ovos não há, de fato, oposição ao consórcio rubro de poder reinante. Lamento informar.

Pax et bonum
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