NOTAS CONTEMPORÂNEAS

Escrevinhação n. 1091, redigida no dia 30 de janeiro de 2014, dia de Santa Batilde e de Santa Jacinta Mariscotti.

Por Dartagnan da Silva Zanela


1. 
O passado sempre se faz presente em nossas vidas com suas preciosas lições. Infelizmente, o homem moderno, por encontrar-se agrilhoado aos momentos fugidios destacados da concretude da realidade, faz-se surdo para tais ensinamentos.

Todo o tempo o drama duma multidão de vidas pretéritas está nos advertindo a não repetirmos os mesmos erros. Todavia, insistimos bestialmente em fazermos ouvidos loucos para essas vozes, preferindo ouvir o canto sedutor dos íncubos do presente que nos apartam da experiência a muito vivida em sociedade.

Íncubos que insistem em nos enfeitiçar com suas promessas dum futuro melhor. Melhor como nunca se viu antes na história e, assim será, segundo eles, repetindo os mesmíssimos erros cometidos em épocas anteriores.

Isso sim, meu caro Watson, deve ser a tal da alienação.

2. 
O Silêncio é uma dádiva rara na sociedade contemporânea. Aliás, tão pouco desejada, até mesmo temida por boa parte das pessoas que não abrem mão da confusão urbana, da fragmentação televisiva e do permanente ruído que é característico tanto duma quando doutra.

Não é por menos que se confunde, com tanta facilidade, a multidão de vozes externas que sem serem convidadas habitam nosso íntimo, apresentando-se como sendo a nossa própria voz interior.

Tamanho é o furdunço que essa massa anômica de opiniões acaba tomando, lentamente, o lugar de nossa consciência individual, apresentando-se como uma consciência coletiva - versão 2.0 e, chamada por alguns, pelo epíteto de consciência crítica.

Tal é o estado crítico de demência que toma conta de boa parte de nossa sociedade que confunde a pose firmada em estereótipos politicamente-corretos com o exercício silencioso e solitário da consciência.

Pax et bonum
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