MEMÓRIAS DO FAXINAL DO CÉU

Escrevinhação n. 1086, redigida entre os dias 08 de janeiro de 2014, dia de São Pedro Tomas e São Severino, e 14 de janeiro de 2014, dia do Bem-aventurado Pedro Donders.

Por Dartagnan da Silva Zanela

1. 
Certas vezes vejo-me imerso em minhas lembranças. Lembranças de minha infância a muito vividas. Não esquecidas.

Lembro-me dos dias em que vivi na rua rio Borboleta, na vila operária de Faxinal do Céu, que hoje não passa dum abandonado Faxinal distante do céu.

Era uma casinha branca e azul entre muitas casas similares rodeadas de mata nativa no meio dum sossegado ermo.

A imagem que me vem agora, destes dias, é viva. Meu pai cuidando de suas ferramentas no porão improvisado. As chaves de “ako” (chaves de fenda) e tudo mais no seu devido lugar entre as colunas irregulares de concreto.

Ainda ouço o som da voz de minha mãe chamando-nos numa rotineira tarde de sábado para comermos. Não me esqueço do cheirinho do café, pão fresco, da visão da velha bacia de massa de pão frita ao lado dos pastéis recheados com carne moída, ovo, pimentão verde e arroz.

A imagem da cozinha parece-me ainda hoje presente, tal qual o cheiro dos quitutes e bem como o gostinho da saudade dos inocentes dias que a muito ficaram pra traz.

2. 
Tropa de elite 2. Um filme que deve ser visto e revisto. Digo o mesmo do um, mas refiro-me substancialmente a sua continuação.

Muitos pontos merecem destaque. Muitos mesmo. Porém, nestas breves notas, permitam-me destacar apenas um. A jornada trágica e solitária do herói.

Todos aqueles que ele, Capitão Nascimento, ama não o querem mais próximo.

Conforme segue sua jornada, ao invés de vislumbrar o êxito sonhado ele vê desenhando-se em sua frente uma humilhante derrota.

Nesta solidão e abandono o capitão Nascimento levanta-se como um colosso contra todas as forças reinantes e continua a lutar sua batalha desolada numa guerra perdida. Guerra em que perdeu tudo, menos a coragem e o senso de dever.

E esse é o traçado dum homem imprescindível claramente visível no drama da personagem. Sem isso, coragem e senso de dever, não há herói. Apenas pacatos cidadãos.

Pax et bonum
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