UM PONTO NO MEIO DO CONTO

Escrevinhação n. 1075, redigida entre os dias 09 de dezembro de 2013, dia de São Juan Diego, e 10 de dezembro de 2013, dia de Nossa Senhora de Loreto e de Santa Eulália.

Por Dartagnan da Silva Zanela


1. Todos merecem o benefício da dúvida. Todos. Entretanto, isso não significa que qualquer um mereça o honra da confiança. Infelizmente, quando o assunto é nossa classe dirigente, não temos muito que dizer. Sim, todos eles, merecem o tal benefício, como qualquer ser humano, apesar da forma desumana que eles se portam muitíssimas vezes. Agora, quanto a honra citada, é abuso. E do brabo. O que o povo brasileiro pode, no máximo, fazer num pleito eleitoral, é dar o benefício da dúvida para um ou outro candidato através do seu voto. Todavia, fazer desse sufrágio um voto de confiança não dá não. Resumindo: aqui, quando o assunto é classe dirigente, o benefício da dúvida é sinônimo de falta de opção e a confiança desmedida uma insanidade ao ponto de imediata internação. Ponto.

2. Muitas vezes sinto-me reduzido a condição dum verme insignificante. Ou não estaria eu, nestes momentos, tendo uma clara visão de minha real condição de vil pecador? Não sei. Apenas sei que quando tal aflição recai sobre mim, sinto que meus átrios e ventrículos vão rebentar meu peito como se uma granada de mão tivesse sido plantada junto dele, ao mesmo tempo em que minha cabeça pesa e agita-se com a fúria da tempestade de pensamentos que rasga minhas vistas a golpes de navalha. Pensamentos sombrios e iníquos que levam-me a perguntar: donde vieram essas lúgubres e sanguinárias imagens? Que fazem elas em meu íntimo a me torturar? Mais uma vez, não sei. Apenas digo que me sinto liberto quando essas tormentas passam, levando-me a agradecer a Deus por ser apenas um reles e mísero mortal, impotente, parcamente ciente e apenas presente.

3. A musicalidade das palavras me encanta. Sua melodia me fascina. Por isso amo poesia. A vida, sem ela, seria menos, como, aliás, a vida moderna o é. Menos digna, menos humana, menos verdadeira e, consequentemente, mais superficial. Mais bestial com a soma de suas conquistas técnicas apresentadas na forma de brinquedinhos eletrônicos que subtraem a beleza fundamental dos momentos que nos revelam o sentido perene de nossa jornada por esse deserto aberto com nossas instantâneas escolhas. E assim ficamos por não mais bebermos da ambrosia dos versos, que vivificam a linguagem e, consequentemente, a vida, que passa a ser vivida num oceano de novas possibilidades que, na verdade, não são novas. Apenas esquecidas, subtraídas, por nós, de nossa vida através dum clique ou duma novidade estúpida qualquer.

4. A galerinha acima do bem e do mal, sempre tem uma solução radicalmente equilibrada rumo à revolução canhota que liquidará todos os males. Um bom exemplo é-nos apresentado através da questão do tráfico de drogas. Sobre isso, as palavras do jornalista Reinaldo Azevedo são certeiras, mesmo que a turminha não goste. Diz-nos ele: “[...] Um país pode decidir acabar com o crime tirando de circulação os criminosos. E o que chamo de boa solução conservadora. E outros podem decidir acabar com os criminosos tirando de circulação o crime. É o que chamo de estúpida solução progressista. Muita gente rejeita a responsabilidade dos consumidores de droga na tragédia social brasileira. São os 'playboy' do relativismo”. É isso aí moleque! A ideia de crime não mata, não fumam e nem cheiram. Por sua deixa, criminosos matam, da mesma forma que ideias criminosas que justificam e relativizam irresponsabilidades morais também matam. Matam para que gente bonita e inteligente possam fumar e cheirar sem o menor peso em sua consciência crítica.

Pax et bonum
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