REFLEXÕES, TOLAS REFLEXÕES...

Escrevinhação n. 1074, redigida entre os dias 06 de dezembro de 2013, dia de São Nicolau, e 07 de dezembro de 2013, dia de Santo Ambrósio.

Por Dartagnan da Silva Zanela


1. O Papa Francisco. Sim! O Papa Francisco, em sua Carta Encíclica LUMEN FIDEI, a respeito da fé diz-nos que ela, enquanto um dom sobrenatural que nos é presenteado por Deus, “[...] aparece-nos como luz para a estrada orientando os nossos passos no tempo. Por um lado, provém do passado: é a luz duma memória basilar — a memória da vida de Jesus –, onde o seu amor se manifestou plenamente fiável, capaz de vencer a morte. Mas, por outro lado e ao mesmo tempo, dado que Cristo ressuscitou e nos atrai de além da morte, a fé é luz que vem do futuro, que descerra diante de nós horizontes grandes e nos leva a ultrapassar o nosso ‘eu’ isolado, abrindo-o à amplitude da comunhão. Deste modo, compreendemos que a fé não mora na escuridão, mas é uma luz para as nossas trevas”.

2. Ficamos, em nossa cidade, dois dias e uma noite sem água. A energia elétrica também resolveu não dar as caras por algum tempo. Tal percalço ocorreu devido a um forte vendaval que assolou nosso pago por apenas vinte e cinco segundos. Isso mesmo! Apenas vinte e cinco segundos. O ocorrido não sai de minha mente e fica a sussurrar muitos pontos que julgo relevante a partilha. Primeiro, e o mais óbvio: como somos impotentes diante das forças da criação. Apenas ¼ de minuto foi o suficiente pra fazer um belo dum estrado em nossa cidade. Segundo: o quanto somos dependentes dos confortos que nos são regalados pela sociedade moderna que, neste caso, refere-se simplesmente a água encanada e energia elétrica. Terceiro: não deixava de pensar na vida de inúmeros brasileiros que dependem da “generosidade” de carros pipas para poderem ter um pouco de água para beber. Não tinha como não pensar nas inúmeras pessoas que nem isso tem. Sim, foi desconfortável, mas este incômodo nada é diante da dor que muitos sofrem diuturnamente. Enfim, não tinha como não pensar no quanto que nossas reclamações, na maioria das vezes, são mesquinhas e patéticas. E como o são.

3. Mas um fim de ano se aproxima e, novamente, cá estamos nós voltando nossas vistas para os rastros deixados, refletindo sobre a forma como vivemos esse ano que está prestes a encerrar seu expediente. Ao mesmo tempo, estamos com um olho para o ano que está por vir e, inevitavelmente, lá estamos a estabelecer metas que pretendemos cumprir. Mas, espere aí! Nós realizamos as metas que havíamos estabelecido para o ano que está por fechar as portas? Aliás, estamos saindo deste ciclo da mesma forma que entramos? Se não, saímos dele melhor em que? Ou estamos terminando essa etapa piorados em que? Independente das respostas que encontremos para essas perguntas, uma coisa é certa: provavelmente nos faltou, em maior ou menor medida, uma boa dose de perseverança e decisão, outro tanto de dedicação e ousadia e uma boa pitada de fé e convicção, não é mesmo?

4. Pra todos os lados que acertamos nosso passo lá encontramos uma caridosa alma preocupada com as baleias, com a água, com cães, enfim, sempre nos deparamos com alguém da turminha do Capitão Planeta com suas profundas preocupações para com a mãe terra. Sim! É claro que eles amam dar com os dedos em nossas fuças para nos chamar de monstros despreocupados com o futuro. Tudo bem! Tudo bem! Acato esse sermãozinho, mas antes, pensemos no seguinte: imaginemos que somos uma dessas alminhas e respondamos as questões que seguem: você gasta, no máximo, cinco litros de água fria em seus banhos? Usa uma sacola de algodão cru pra transportar suas comprinhas? Não é consumista de modas, modinhas e modões? Vai trabalhar de bicicleta? Cultiva e zela dum pomar e duma horta no quintal de sua casa? Tem uma cisterna para aproveitar a água das chuvas? Que coisa em cara pálida! Por isso, quer saber duma coisa: volte para o seu desenho animado, mas, acima de tudo, pare de fingir uma preocupação que, na real, não passa de posse.

5. Sobre a Virgem Santíssima, nos ensina Santo André de Creta que: “[...] o desígnio do Redentor da nossa raça era produzir um nascimento e como que uma nova criação para substituir o passado. Foi por isso que, tal como no Paraíso havia extraído da terra virgem e sem mácula um pouco de pó para moldar o primeiro Adão (Gn 2,7), no momento de realizar a sua própria encarnação Se serviu, por assim dizer, de outro solo, ou seja, desta Virgem pura e imaculada, escolhida de entre todos os seres que criara. Foi nela que Ele nos renovou a partir da nossa própria substância e Se tornou um novo Adão (1Cor 15,45), Ele que era o Criador de Adão, para que o antigo fosse salvo pelo novo e o eterno”.

Pax et bonum
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