QUASE NADA PARA DECLARAR - parte II

Escrevinhação n. 1065, redigida entre os dias 09 de novembro de 2013, dia de Santo Orestes, da Bem-aventurada Elisabete da Trindade Catez e da Consagração da Basílica de Latrão, 12 de novembro de 2013, dia de São Josafá Kuncevicz.

Por Dartagnan da Silva Zanela


1. A regra é bem simples: a maturidade é definida não simplesmente pela quantia de primaveras vividas, mas sim, pelas prioridades que elegemos. Não importa a idade. Tenhamos 20, 30, 40 ou mais (vai saber...), não interessa. A maturidade vislumbra-se em nossa capacidade de elegermos bens para serem conquistados a médio e longo prazo que, inevitavelmente, exigem sacrifícios de nossa parte. Por isso são apenas necessários quinze minutos de conversa para perceber se o sujeito é um homem feito ou apenas um piá a procura de diversão sem compromisso (o mesmo vale para as moças). Se a prosa for sobre entretenimentos rasos, baladas do momento e sobre os modismos reinantes, abandone! É apenas um adolescente crescidinho que não quer crescer, mas exige o respeito que é apenas devido aos que aderiram ao mundo adulto. Gostemos ou não, é assim mesmo: o objetivo priorizado molda a ação e, consequentemente, define o caráter que o priorizou. E como define.

2. Pai é quem cria. Assim reza a sabedoria popular. Refletindo sobre essas palavras, penso que podemos fazer uma distinção com relação aos homens que chamam para si a alcunha de pai. Há aqueles que estão presentes apenas na hora de conceber o filho, de fazê-lo. Esses não são pais, propriamente. São apenas genitores e nada mais. Há ainda aqueles que, de alguma forma, são provedores. Ou seja: de maneira suficiente ou não, pela força da lei ou de sua consciência, procuram prover as necessidades materiais do mancebo. Por fim, temos o pai, que é aquele que se faz presente na vida da criança. Tal tarefa não é fácil. Aliás, não é para fracos, pois, como todo gesto de genuíno amor, ser pai exige uma dose significativa de sacrifício voluntário, de doação gratuita. Por isso, em consonância com as palavras do dito popular digo que ser genitor é fácil, torna-se provedor é simples, porém realizar-se como pai é uma tarefa apenas para homens e ponto final.

3. Não há nada mais ineficaz que um sermão prolongado para admoestar um infante no intento de levá-lo a emendar-se. Ainda mais se ele já estiver com sua consciência individual deformada pela vileza reinante. Não importa se as palavras sejam doces ou amargas, se elas não levarem o indivíduo a sentir os limites, o sermão, por mais grandiloquente que seja, não terá a eficácia desejada pelo seu enunciador porque o que estará sendo dito não encontrará ressonância em sua vida. Por isso, permitam-me, a título de comparação, levantar três perguntinhas: o que acontece se você desacatar um policial que está lhe auferindo uma multa? O que acontece se você não pagar a conta de luz? O que acontece se você não seguir adequadamente o tratamento que seu médico lhe receitou? Nas três situações, cada uma à sua maneira, iremos sentir com clareza os limites de nossa ação. Bem, e o que acontece com um aluno que desacata a autoridade professoral recusando-se ao cumprimento de seus deveres e não agindo com o devido decoro em sala de aula? Nada. Na melhor das hipóteses, quase nada.

4. Somente tolos, ou almas mal intencionadas, dissociam a educação da disciplina. Sem ela, não aprendemos a cultivar o auto-controle que, por sua deixa, é um elemento fundamental para o aprendizado de qualquer coisa. Seja uma modalidade desportiva, uma arte marcial, música, uma língua estrangeira, um ofício, seja o que for, não há como cogitar-se um razoável aprendizado de algo sem o desenvolvimento da capacidade de auto-domínio. É claro que tal aprendizado será desconfortável no início, porém, gradativamente, essa capacidade irá desenvolver-se e integra-se a personalidade do indivíduo que, desde modo, irá adquirir um poder sobre si que o habilitará a atuar sobre o mundo com maior eficácia. Ah! É claro que permitir que os infantes e adolescentes fiquem livres, leves e soltos, fazendo o que lhes der na ventada é legal, porém, em pouco isso os ajuda em sua formação, em sua humana construção.

Pax et bonum
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