CRITICAMENTE ROTULADO

Escrevinhação n. 1064, redigida no dia 05 de novembro de 2013, dia de Zacarias e Isabel, parentes de Nossa Senhora, do Beato Caio Coreano e do Beato Mariano de la Mata.

Por Dartagnan da Silva Zanela


Chega ser surpreendente o quanto que nos círculos criticamente críticos utilizam-se frases feitas e estereótipos. Provavelmente o rótulo preferido dessa gente seja o termo neoliberal que, nessas esferas soa como uma forma de maldição adornada com uma eloqüência de fundo de quintal.

Quando a galera que usa camiseta do Che, combinandinho com seu Nike ouve essa palavra, arregala os olhinhos, alevanta as pestanas e, rapidinho, faz cara de menino mal. Para eles tudo que recebe essa marca bestial emana das profundezas sombrias do submundo do sistema CAPETAlista para nos destruir. Que horror!

Tudo bem, mas se formos, só um pouquinho, sacrílegos para com os dogmas dessa seita materialista, que impera nas cucas bem-pensantes dessa terra de desterrados, poderemos perguntar aos nossos alfarrábios: se esse tal de neoliberalismo é uma coisa tão perversa que se faz mastodonticamente presente entre nós determinando os descaminhos que são trilhados por nossa pátria, é de se concluir que essa gente deve estar infiltrada em todas as esferas do Estado e, principalmente, na educação, para deformar as futuras gerações transformando-as em dóceis engrenagens do capital, não é mesmo?

Por isso mesmo temos inúmeros professores (doutrinadores) desta vil concepção de mundo para que nos tornemos neoliberais ou, ao menos, passemos a pensar e a avaliar a realidade a partir dessa concepção de mundo. E é por isso que temos nas bibliotecas estantes e mais estantes com vários livros de autores que, como direi, são as estrelas desse mundinho. Não? Ops.! Espere aí: quantos professores neoliberais você teve? Quantos professores apresentaram em sala de aula as virtudes do liberalismo ou, simplesmente, indicaram a leitura repetitiva e cansativa de autores desta matriz teórica? Quantos? Quantos amigos neoliberais você tem?

Já sei: nenhum. Como também imagino que os nomes dos autores não se fazem presentes em sua memória. Então, mudemos as perguntas: quantos professores incansavelmente citam, referenciam e recomendam obras de autores marxistas e idolatram Karl Marx? Quantas estantes, com obras dessa orientação, estão presentes nas bibliotecas? Qual é a concepção de mundo literalmente onipresente no universo cultural e educacional brasileiro? A resposta é praticamente auto-evidente, não é mesmo? E essa gente ainda diz que luta contra o “pensamento único” em nome do “pluralismo”.

Mas, o que seria então o tal do neoliberal apontado por essa turma? Nesse cenário adoecido, penso que pode ser uma variação de alguma criatura como o veio do saco, o bicho papão ou, quem sabe, a própria Kuka que aí está pra te pegar aqui, ali e acolá! Ou, trocando por miúdos, o tal do neoliberalismo, como é apresentado, seria apenas uma fantasmagoria débil que reflete a miséria intelectual daqueles que a apregoam. E assim o é por preferirem fantasiar-se de bons-moços, progressistas ou revolucionários, ao invés de realmente compreender o que realmente é o objeto de seu escárnio.

Pax et bonum
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