COM O ROSÁRIO SOBRE A MESA

Escrevinhação n. 1067, redigida entre os dias 13 de novembro de 2013, dia de Santo Estanislau Kostka, e 19 de novembro de 2013, dia de Santa Matilde de Hackeborn e de São Roque Gonzales e companheiros mártires.

Por Dartagnan da Silva Zanela


1. Os fortes são silenciosos. Não gritam. Choram enquanto enfrentam suas batalhas diárias sem fraquejar diante dos desafios. Não desesperam diante dos nãos que a vida insiste em lhes dar. São essas pessoas, anônimas diante do mundo, que tem seus nomes inscritos no panteão eterno dos bravos. São essas almas que regam o chão com o suor de seu labor e com as lágrimas de sua dor que fazem Deus sorrir, apesar da fraqueza e do torpor em que a barulhenta multidão vive desprovida de mérito e sem valor. Por isso muito aprendamos com os fortes silenciosos. Com eles descobrimos a grandeza da vida que as multidões queixosas são incapazes de compreender.

2. Certa feita Ariano Suassuna havia dito que o que é bom de viver é ruim de contar e o que é ruim de viver é bom de contar. Batata! Esse é o segredo do bom humor e do riso dum modo geral. Por essas e outras que o povo que não é capaz de rir de si, de suas tragédias, é um povo infeliz. Medíocre é a alma que se torna incapaz de olhar para os seus rastros e dar boas gargalhadas dos seus defeitos, tropeços, quedas e, principalmente, das pedradas que a vida e as almas sebosas lhes deram.  E assim estamos ficando em nosso país que dia após dia desaprende as virtudes do riso em favor dos beicinhos politicamente-corretos que, no fundo, apenas cultivam um bom punhado de rancor em misto com outro tanto de preconceitos que julgam ser o mais excelso humanismo. Por essa e outras tantas razões que o melhor remédio para uma piada de mau gosto é uma piada inteligentemente cáustica e ferina. Com certeza seria uma defesa mais eficiente que fazer-se de vítima.

3. A mortificação é uma prática austera e pode ser-nos de grande valia para o nosso desenvolvimento pessoal, apesar de não sermos monges. Exercitando o caráter por essa via fortalecemos a vontade que gradualmente aumenta nosso domínio sobre nossas paixões. Sobre esse ponto, São JoséMaria Escrivá, ensina-nos que: “[...] o sorriso amável para quem te incomoda, aquele silêncio ante a acusação injusta, a tua conversa afável com os maçantes e os inoportunos, o não dar importância cada dia a um pormenor ou outro, aborrecido e impertinente, das pessoas que convivem contigo... Isto, com perseverança, é que é sólida mortificação interior”. Ora, através destas pequenas e ocultas realizações inevitavelmente nos elevamos. Por intermédio da flagelação de nossos mesquinhos desejos cotidianos aprendemos o que realmente significa abraçar a nossa cruz e segui-Lo. Em fim, dum jeito ou doutro, as pequenas mortificações são um santo remédio para o nosso crônico umbigocentrismo.

4. Não tenho a menor dúvida de que sou uma pessoa abençoada por Deus. Digo isso não por ter algum dom. De modo algum! Neste quesito, não passo de um reles mentecapto. Sou um homem abençoado por causa das pessoas que o Altíssimo colocou e coloca em minha vida. Desde meu berço até os dias que estão a soprar minhas grisalhas melenas, tive e tenho a grada alegria de conviver e aprender com pessoas aquilatadas. Seja no âmago de minha família, no ambiente de trabalho e bem como nos círculos de amizades, virtuais ou analógicas, todo santo dia tenho uma visão de dignidade, uma palavra de elevo, uma lição imemorável que me são brindadas por pessoas que, todos os dias, estão em minhas preces. Graças à grandeza dessas almas sou capaz de suportar minha atávica pequenez e de lutar contra ela.

5. Viu! Se você é daqueles que gosta de fazer-se de coitadinho, lá vai um conselho curto, grosso e seco de São Josémaria Escrivá: “Não sejas frouxo, mole. - Já é tempo de repelires essa estranha compaixão que sentes por ti mesmo”. E, por isso, seu jaguarão, “agradece, como um favor muito especial, os santos aborrecimentos que sentes de ti mesmo”. Esses são santos sinais de que uma boa semente pode estar germinando no jardim de seu coração. Seja viril! Enfrente os dissabores cotidianos com gratidão, não com pesar. Ponto final.

Pax et bonum
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