SE A CARAPUÇA SERVIU...

Escrevinhação n. 1058, redigida no dia 22 de outubro de 2013, dia do Bem-Aventurado Papa João Paulo II.

Por Dartagnan da Silva Zanela


Há no coração humano uma essência alquímica que nos convida a transubstanciarmo-nos da criatura vulgar que somos em algo de distinta nobreza. E, muitas das vezes, procuramos cingir nosso passo pela via da simplicidade no intento de colaborar com esse processo. Quer dizer, verbalmente afirmamos perante os outros e diante de nosso reflexo no espelho que somos pessoas simples, porém, em boa parte dos casos, essa simplicidade é tão oca quanto à cabecinha que maquinou a enunciação da referida qualidade, noutras tantas até o é, mas não por virtude, mas sim, por mesquinharia e vanglória.

Essa simplicidade que insulta a memória dos santos é algo que advém de nossa sanha compulsiva em ostentar uma auto-imagem boazinha que, em si, é um adorno indispensável para uma vida vivida de maneira leviana e impensada. Obviamente que aquela turminha que não vive sem uma carnavalesca máscara de tiozinho do clube do bem torce o nariz, cheios de indignação, porque eles julgam-se pessoas críticas, conscientes de seu – ui ui ui – papel social e histórico, mas, na boa, no fundo essas figurinhas não sabem o que fazem e muito menos o que dizem.

Antes que o beicinho dobre a esquina, deixe-me dizer mais uma coisa: é um grave sinal de insanidade moral apresentar-se como uma alma cândida, impoluta ou, como a referida turminha diria, tolerante e progressista, e apontar o dedinho cruel para todos aqueles que a sua galerinha considera intolerável. Sem perceberem, fazendo isso se alienam da nossa fundamental condição de criatura limitada, falível e (sei que eles não gostam desta palavra, mas todos nós o somos) pecadora.

Não tenho dúvidas que a percepção de si e da realidade dessa gente advém dum imaginário doente que colocou suas paixões (anseios, desejos e quereres) num patamar acima de sua consciência moral e abaixo de suas inclinações ideológicas que passa a fazer às vezes de princípio categórico onipresente. Trocando por miúdos: diviniza-se o ego que se subjuga a uma ideologia materialista maquiada com toda ordem de modismos modernosos ao mesmo tempo em que se sacralizam as mais baixas paixões humanas. Ou seja: um troço crítico de doer.

Mas não criemos pânico porque tal estado de coisas tem cura sim senhor! É simples, porém, é exigida uma boa dose de sacrifício, visto que, o ser humano, enquanto uma obra de arte, só realiza-se em sua plenitude através de renúncias. Por isso, se você sofre desta enfermidade da alma e faz parte duma patotinha tolerantemente totalitária, renuncie, dia após dia, a essa afetação de bom-mocismo em misto com o simplismo mesquinho. Largue mão dessa folia fingida e cínica de tolerância e aprenda a amar o próximo e aí, quem sabe, seu coração consiga transubstanciar-se em algo altivo para que as palavras não mais sejam contraditas pelos seus atos.

Pax et bonum
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