NÃO ME VENHA COM BAGATELAS

Escrevinhação n. 1054, redigida entre os dias 06 de outubro de 2013, dia de São Bruno, Santa Maria Francisca das Cinco Chagas e do Beato José Rubio, e 09 de outubro de 2013, dia de São Francisco Borja.

Por Dartagnan da Silva Zanela



1. Meu filho foi contemplado! Explico-me: o pequeno, que já não é tão pequeno assim, é dizimista. Seu nome foi sorteado em nossa Paróquia para receber um grande ícone tridimensional de Nossa Senhora da Conceição Aparecida. Seu avô lhe entregou. Os negros olhos amendoados do meu menino brilharam de alegria ao receber a imagem morena coroada imperatriz com seu azulado manto. Minha pequenina batia palmas de contento e foi a primeira de todos nós a colocar-se de joelhos diante do ícone de Nossa Senhora. Do seu jeitinho moleca pôs-se a rezar. Gesto este que nosso solzinho aprendeu, sem dúvida alguma, com seu irmão, nosso pequeno grande tesouro, que do seu jeito piá, sabe muito bem que apenas as almas aquilatas não envergonham-se de prostrar-se de joelhos e venerar a senhora do ventre que pariu o Bendito Fruto dos Céus, Nosso Senhor Jesus Cristo.

2. Adquirimos muitos vícios morais e cognitivos devido a várias práticas que vamos assimilando mecanicamente com o devir do tempo. Um destes é a presa em responder a uma observação ou pergunta que nos são apresentadas. A resposta sai na lata, num clique, e segue impensada na mesmíssima velocidade, seja numa praça virtual, como as redes sociais, ou ao vivo e a cores nas mais variadas ocasiões. Queremos tudo no grito! Nos remoemos se não nos sentimos aptos a dar uma resposta de pronto como se isso fosse realmente uma nota de distinção e sapiência. Por essas e outras que a prudência sugere-nos que devemos parar pra pensar antes de nos pronunciar. Sugere, todavia, não a ouvimos. Já as redes nos convidam a postar, comentar e curtir, sem ponderar sobre o que nossos dedos estão a declarar. E nós as ouvimos sem pestanejar.

3. As mais importantes lições que aprendi em minha vida foram-me ministradas por pessoas simples de coração e que vivem condições simples. Dentre as lições que essas almas ensinaram-me destacaria a de sabermos conhecer uma pessoa pelo olhar. Sim, as janelas da alma nos revelam indiscretamente nossos pensamentos e sentimentos duma maneira que nossos lábios jamais ousariam confessar. Sempre via essas pessoas retratarem candidamente o caráter duma pessoa apenas com uma breve mirada nas vistas do sujeito e, indagava-me: como é que essa senhora é capaz disso? Como? O segredo está nos olhos. Isso mesmo! Apenas aqueles que são capazes de ver com ternura o absurdo são capazes de reconhecer as mais variadas nuanças do caráter que se fazem presentes num olhar. E é por essas e outras que os doutos sabem ver e julgar com minúcia as tolices e banalidades da vida, mas são incapazes de mergulhar nas profundezas presentes num simples olhar.

Pax et bonum
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