RETALHOS DUMA COLCHA VELHA

Escrevinhação n. 1045, redigida entre os dias 15 de setembro de 2013, dia de Santa Catarina de Gênova, e 18 de setembro de 2013, dia de São José de Copertino.

Por Dartagnan da Silva Zanela


1. Uma forte coluna da dignidade humana encontra-se na capacidade do indivíduo aceitar e suportar pequenas injustiças. Assim nos ensina Johann Goethe da mesma forma que as imagens cotidianas dessa realidade demasiadamente humana. Imagens que são encenadas diariamente diante de nossas vistas e, em outras tantas, somos os protagonistas delas. Imagens onde vê-se revelada a grandeza ou a pequenez humana. A segunda, infelizmente, com uma freqüência muito maior. Não há dúvidas de que sofrer uma injustiça, por menor que seja, não é agradável, porém, sentir o desconforto impingido por uma pequena farpa como se fosse a dor causada por um vergalhão atravessado por entre as falanges de nossa mão é um gesto ridículo de auto-piedade infantil que em nada contribui na reparação do mal sofrido. Apenas torna evidente o nosso ridículo original.

2. Lembro-me que, certa feita, assisti ao famoso episódio dos Simpsons onde a referida família viajou para o Rio de Janeiro. Obviamente que o Brasil foi apresentado de modo caricato, porém, nada que não tivesse lá seus dois pés na realidade mais nua e crua de nossa sociedade. Naturalmente que, nos ambientes muito críticos de nossa sociedade antropofágica, eclode até hoje manifestações de indignação, mesmo que tímidas, contra o tal episódio. Sem me delongar muito, pois esse assunto é tedioso, há dois pontos presentes nas efusões críticas que não podemos deixar de lado. Primeiro: indignamo-nos frente ao fato dos gringos pensarem que o Brasil é uma selva, como se nós não fizemos generalizações similares com outras nações, inclusive com os EUA. Ou você vai me dizer que o que você imagina a respeito dos EUA é a mais crua realidade? Usar um all star, meu caro, não é sinônimo de ser um profundo conhecedor da terra do tio San. Segundo: Aquela choradeira frente a piada feita sobre o Brasil. Toda essa auto-piedade os impede de ver que os Simpsons, antes de qualquer coisa, são uma piada escrota do cidadão médio americano. Os gringos riem de si através do seriado, o que é muito saudável. Já os brasileiros críticos, por levarem-se muito a sério, não. Isso ocorra talvez porque somente os medíocres sentem-se tão importantes ao ponto de não serem capazes de rir de si, não é mesmo?

3. Em 1884, Monsenhor de Sugir, em seu livro “Escola sem Deus”, afirma que uma escola sem religião formaria apenas incrédulos, rebeldes, ébrios e comunistas. Estamos em 2013. Não na França, mas sim, na Terra de Vera Cruz e o que vemos ocorrer com nosso sistema educacional hegemonicamente dominado por concepções gramscianas de toda e qualquer monta? Vemos as palavras do referido sacerdote reluzirem como uma profecia não ouvida, escarnecida pelas almas afetadas de bom-mocismo politicamente-correto. Sim, sob o manto insincero do laicismo, com o auxilio da batuta relativista, Deus foi banido das escolas, ao mesmo tempo em que o despudor toma lugares de destaque na grande mídia como se fosse uma elevada virtude cívica. Em fim, ao que tudo indica, todos os meios de informar e de formar, fecharam suas portas para Deus com o apoio complacente daqueles que dizem acreditar Nele. Com a indiferença daqueles que fingem amá-Lo.

Pax et bonum
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