RETALHOS DUMA COLCHA VELHA – parte II

Escrevinhação n. 1047, redigida entre os dias 18 de setembro de 2013, dia de São José de Copertino, e 21 de setembro de 2013, dia de São Matheus.

Por Dartagnan da Silva Zanela


1. Sim, os mensaleiros, seus aliados e simpatizantes estão rindo à toa. Rindo, faceiros, feito pinto no lixo. E você, cidadão, tá tristinho, tristinho. Mas, por um acaso você tinha alguma esperança de que esse julgamento teria um rumo diverso? Meu amigo, nós estamos no Brasil do século XXI! Se o nosso passado não é nada glorioso o que você esperava que fosse prosperar às portas alvissareiras do amanhã nascente deste parvo presente? Balelas à parte, já estão dando um jeitinho de fantasiar o fiasco histórico declarando que tudo correu muito bem dentro do processo e que isso, em si, é uma grande vitória. Sim, de toda essa meleca restou-nos a idolatria dum processualismo estéril dum cirquinho chinfrim, besta e caro. É pra acabar, mas o pior é que ainda não acabou.

2. Das preces que me acompanham nesta ventura terrena, há um verso duma delas que procuro sempre meditar, dentro de minhas limitações, suplicando o guiamento da Virgem Santíssima. A prece é a SALVE RAINHA e, o verso em questão, é aquele em que se diz: “A vós suspiramos, gemendo e chorando neste vale de lágrimas”. Rezo e penso no quanto esperamos que nossa caminhada por essa terra de exilados fosse um mar de rosas e, principalmente, no quanto queremos que nossa vida espiritual seja sossegada ao estilo mamão com açúcar. Pois é, procedendo assim, à sombra destes desejos, podemos nos tornar qualquer coisa, menos um Cristão.

3. Nosso Senhor declarou que cada um deve abraçar a sua cruz (seja ela de chumbo ou de papelão), porém, em nossa soberba de cada dia, embebida no néctar do hedonismo contemporâneo, achamos que o Verbo Divino está errado e que nossa volúpia, desejosa de modificar a Criação, poderia corrigir o que Deus não soube fazer direito e, quem sabe, dar uns pitos no Criador pelo mal feito. Em resumidas contas, esse seria o retrato do infame espírito revolucionário que afeta os olhares críticos que pululam nesta terra de desterrados.

4. Ensina-nos Hermann Hesse que “covarde é quem se esquiva aos trabalhos, aos sacrifícios e aos perigos que seu povo tem de enfrentar. Mas não menos covarde e traidor é quem sacrifica os princípios mais sagrados do espírito aos interesses materiais; quem, por exemplo, se dispusesse a entregar aos poderosos da Terra a decisão sobre se dois e dois são quatro. É traição subordinar a quaisquer outros interesses, inclusive os da pátria, o sentido da verdade, a honradez da inteligência, a fidelidade às leis e métodos do espírito. Se, na luta entre interesses e doutrinas, a verdade (ou o indivíduo) corre o risco de ser esvaziada de sentido, deformada e violentada, nosso único dever é, então, opor-nos denodadamente e salvaguardar, como nosso supremo ato de fé, a própria verdade. Vale dizer: temos obrigação de lutar por ela”.

Pax et bonum
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