DESAPEGAR DAS PALAVRAS VAZIAS

Escrevinhação n. 1046, redigida no dia 16 de setembro de 2013, dia de São Cornélio e São Cipriano.

Por Dartagnan da Silva Zanela


Uma pergunta pode vir a ser a chave que abre uma porta para continentes inteiros de conhecimentos que até então nos eram desconhecidos. Entretanto, em muitas ocasiões, uma pergunta pode ser uma armadilha maliciosa que poderá nos arrastar para labirintos infindáveis de ignorância e confusão. E isso ocorre, frequentemente, com todas as questões que versam sobre o universo das religiões, dum modo geral e, inevitavelmente, com as indagações que afloram nos campos do Cristianismo, de modo especial.

Isso se deve, em princípio, a dois fatores que se veem encalacrados em nossa carne e que podem ser facilmente reconhecidos (não tão facilmente extirpados) por qualquer um que cultive um mínimo necessário de sinceridade em seu coração. Dito isso, vejamos: uma pergunta não pode, de modo algum, ser formulada a partir do nada. Todas elas, sem exceção, são elaboradas a partir da gama de informações que dispomos. Quanto mais amplo for o espectro de informações, maior será a qualidade de nossas indagações.

Ora, o nosso conhecimento sobre as religiões dum modo geral, e sobre a Igreja Católica de modo particular, é caricatural. Você pode enganar os outros, a si mesmo, mas não me venha com esse papinho de sabichão pro meu lado que a mim você não engana não violão. Ao invés disso, pergunte-se: você conhece quantos católicos que leram e meditaram o Catecismo da Igreja? Quantos ateus, agnósticos e demais hostes “críticas”, conhecidos por você, estudaram o livrão amarelo? E você, leu?

E lasqueira! Então não adiante nem mesmo perguntar se conhecemos a vida duma dúzia de Santos e se estudamos um pequeno punhado de milagres. Aliás, quanto aos milagres, bem provavelmente, os palpiteiros, questionadores papagaiescos, não sabem nem mesmo como problematizar essa questão devido o seu soberbo desdém pelo assunto. Mas, mesmo assim, continuam esparramando uma infinidade de questões que, ao invés de apontar à luz do saber, apenas leva as almas para as trevas da douta estultice.

Quanto ao segundo fator: não sermos capazes de reconhecer que agimos assim. Admitir que não se sabe algo não é assim tão difícil, porém, tem que se ter um bom tanto de coragem, e outro de honestidade, para reconhecer que realmente não sabemos aquilo que fingimos saber. No fundo, é um exercício de confissão interior frente ao olhar onisciente de Deus e muitos têm essa imensa dificuldade porque construíram a sua imagem pública, a sua carreira e sabe lá mais o que, encima duma fantasia grosseira de saber toda empavonada com um amontoado de canudos de papéis sujos nada baratos. Pois é, não é fácil renegar nossa leviandade de cada dia.

Obviamente que o reconhecimento dessas chagas que se fazem presentes em nossa alma não irá mudar o juízo dos outros, mas provavelmente irá mudar a sua maneira de viver, o modo como você vê o mundo e os outros e, principalmente, mudará a sua maneira de ver a si mesmo diante de Deus. No final, é apenas isso que realmente importa.

Pax et bonum
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