PONTOS E BORDADOS – parte IV

Escrevinhação n. 1032, redigida entre os dias 08 de agosto de 2013, dia de São Domingos de Gusmão, e 11 de agosto de 2013, dia de Santa Clara de Assis.

Por Dartagnan da Silva Zanela


1. Há uma velha canção do Gaúcho da Fronteira onde canta-se o refrão “ai que saudade do Sarney”. Não tenho saudades nenhuma dele. Aliás, ele não nos deixa ter saudades, visto que, lá está o homem, impávido, inamovível dentro das engrenagens Estatais! Como ele, muitos outros, que não adentraram nas sombras de nossa memória por fazerem-se ainda presentes. Gostaria, e muito, de poder cantar pelas ruas e logradouros as mais variadas melodias saudosistas deste e de toda tigrada que encontra-se encastelada no Estadossauro brasílico, mas não posso. Eles temem o silêncio e a solidão. Por isso ficam, mesmo que esse ato leve ladeira à baixo toda a nação. Ah! Como eu queria poder sentir saudades, mas, como eu já disse e repito: não tem como.

2. Meu coração amargo está. Vê-se assim devido as notícias sobre a América Latina que hoje invadiram as janelas de meu ser e, principalmente, porque me foi servido, sem a menor cerimônia, um cálice ingrato de amargo licor. Já bebi tanto da cicuta deste boticário que, às vezes, tenho a impressão que tornei-me imune aos seus efeitos. Hoje, confesso, a dose não foi inesperada, porém, queimou impiedosamente minhas entranhas. Como queria poder chorar, mas minhas vistas a muito secaram. O riacho que um dia fora doce, hoje jaz em meio ao cascalho. Queria poder gritar, bradar aos quatro ventos minha cólera e livrar-me de todo o veneno que agora solve minhas veias e que faz as sístoles e diástoles de meu peito torturar-me, mas não posso. Muito caro custar-me-ia tal rugido. Por isso o remédio é silenciar-me, digerindo a plúmbea bebida que tanto me consome para que ela não me consuma.

3. Perguntaram, certa feita, ao cavaleiro de triste figura, após um duelo travado numa arena incerta, se ele sentia-se solitário em sua jornada andante por esse vale de lágrimas. O cavaleiro, com um sorriso amarelado no rosto, mirou nas vistas do gentil interlocutor e negou. Negou a verdade mais evidente e presente na secura de sua árida alma. E o triste cavaleiro, com sua montaria gasta e seu gládio carcomido pelo tempo, seguiu sua marcha pela esquecida estrada que tão bem foi revelada pela palavra que a pouco lhe fora dirigida.

4. Pai, de todos os tesouros celestes que Deus me concedeu, o senhor é a pérola, raríssima que desponta no diadema de minha vida. Enriqueceu meu caráter com seus exemplos silenciosos, robusteceu minha dignidade com teus ensinamentos e, acima de tudo, pai, o senhor ensinou-me o que significa ser Pai. Hoje, a distância física não nos permite que festejemos juntos, porém, mais do que nunca, muito mais do que nos idos de minha porca e ingrata juventude, sinto sua presença amorosa em meu coração banhando de luz o caminho que meus passos trilham. Te amo Esmeraldo Zanela e agradeço todos os dias ao Altíssimo, Pai dos pais, por ter-me dada a graça de podê-lo chamar de meu pai, mesmo que eu não seja digno disso.

5. Há certos caboclos que são umas figurinhas muito engraçadas. Eles me divertem com sua imbecilidade que nos é graciosamente servida algumas vezes. É assim: eles falam toda ordem de impropérios e quanto alguém lhes esculacha da forma merecida, saem choramingando, posando de coitadinho, lambendo suas feridas feito um cão sarnento, fazendo-se de vítimas juntos dos seus, ou daqueles que lhes dão uma dose imerecida de atenção e respeito. Tipos assim precisam ser despertados de sua loucura e não afagados por estarem imersos num amontoado de delírios advindos de sua cegueira estulta. Por isso, por caridade, reze por essas almas confusas e largue mão de ser bom-moço para com eles. Use de ríspidas palavras, se necessário, para com aqueles que urgentemente carecem delas. Ponto.

Pax et bonum
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