O TRIGÉSIMO DIA DE AGOSTO

Escrevinhação n. 1039, redigida no dia 28 de agosto de 2013, dia de Santo Agostinho.

Por Dartagnan da Silva Zanela


Já sei, já sei, sou um alienado reacionário pelego por não aderir à paralisação. Posso ser tudo isso e muito mais, porém, há algumas razões que levam-me a seguir, dentro da normalidade possível, com minha rotina de trabalho no dia 30 de agosto de 2013, da graça de Nosso Senhor. Razões essas que procuro parcamente apresentar nas linhas que seguem abaixo.

Não vejo grandeza numa seção coletiva de catarse do passado. Sim, faz 25 anos que tivemos o ocorrido, mas até quando ficar-se-á ressentido essas velhas feridas? Confesso: chega a ser vergonhoso esse remoer rancores sob o pretexto de estar-se preocupado com a educação. Se a razão da paralisação é o vigésimo quinto aniversário da cavalhada de Dom Álvaro Dias, penso que, ao invés de parar, podia-se ensinar aos alunos que pessoas maduras procuram tomar uma atitude mais elevada diante dos pesares. Porém, não é o que se está ensinando.

Doravante, o Estado do Paraná, e bem como todo o país, tem como uma das colunas da prática educacional a obra do filósofo italiano Antônio Gramsci que vê nesta, e na cultura dum modo geral, um instrumento para realizar uma revolução silenciosa e implantar o socialismo sem grandes estardalhaços. A APP opõe-se a isso? Não.

A APP sindicato também apóia outras bandeiras que integram esse mesmo projeto rubro. Entre elas podemos destacar a defesa aberta do assassinato de inocentes sem direito a defesa (aborto) como se isso fosse um direito humano. Vejam só: as digníssimas mentes pensantes e críticas lamentam o desfecho da greve de 1988, mas defendem essa monstruosidade como sendo uma bandeira digna para ver-se tremulando junto do pátio áureo da educação. No meu ver, há algo de muitíssimo errado nisso.

Não apenas isso. Inclua-se também a defesa de políticas GLBT, que frontalmente ultrajam os valores morais mais elementares que nos foram legados por nossa herança judaico-cristã. 

Essas são algumas das muitas bandeiras que são defendidas pela entidade que, imagino eu, contrariam os valores que são cultivados por boa parte dos professores e pais. 

Outra coisa: qual é a posição da referida entidade frente toda a obra de engenharia social empreendida pelo Estatuto da Criança e do Adolescente que vem solapando todas as possibilidades duma educação efetiva? Qual? Ou continuaremos a negar que o ECA vem permitindo um mundo sem fronteiras para os infantes e uma cadeia de impossibilidades para os educares formais e informais e, deste modo, cultivando e estimulando atitudes anti-sociais? Ora, por mais que muitas vozes “esclarecidas” neguem isso, todos aqueles que vivem no mundo real sabem muito bem do que estou falando.

Sem mais delongas, digo que é por isso que não participo dum ato público capitaneado por essa organização, visto que, os valores inegociáveis que balizam a dignidade humana estão sendo relativizados e minados por essas bandeiras frondosamente ostentadas.

Por fim, se você realmente ama a educação e nunca levou esses pontos em consideração, por favor, o faça porque, penso eu, tem muito mais em jogo do que apenas uma reles reposição de perdas salariais ou qualquer forma de ganho material do gênero ou similar. Reflitamos sobre os valores que estão sendo corroídos gradativamente em nossa sociedade. Valores inegociáveis que, na verdade, estão sendo desprezados em nome de bens mesquinhamente menores.

Mas se você é daqueles que concorda com todas essas (e muitas outras) bandeiras acima apresentadas, não te apoquente, visto que, sou apenas um alienado reacionário pelego que não aderiu à paralisação.

Pax et bonum
Blog: http://zanela.blogspot.com.br
e-mail: dartagnanzanela@gmail.com

Comentários