O BRANDIR DO GLÁDIO DE FRANCISCO


Escrevinhação n. 1008, redigida em 20 de maio de 2013, dia de São Bernardino de Sena e de Santo Arcângelo Tadini.

Por Dartagnan da Silva Zanela


Muitas vezes, encontro-me com minhas vistas marejando em lágrimas após ler uma notícia. Em algumas destas ocasiões isso ocorre por ter minha alma invadida por uma profunda tristeza frente ao horror apresentado pelas palavras impressas. Outras, elas indicam que o tinto das letras despertou em meu íntimo tamanho júbilo que este rompe as crostas de minha sobriedade fazendo jorrar contento através das janelas do meu ser.

Graças ao bom Deus, iniciei esta semana com lágrimas da segunda monta e a notícia que escavou o regozijo em mim é sobre o Papa Francisco. Após a Santa Missa de Pentecostes, como é do feitio do Santo Padre, este se colocou a caminhar junto aos fiéis saudando-os e abençoando-os. Entretanto, algo neste domingo foi diferente. 

Ele se aproximou dum grupo de fiéis enfermos para abençoá-los com seu doce semblante e gestos singelos. De repente, quando ele colocou-se diante dum certo jovem e, após ouvir as palavras proferidas pelo padre que acompanhava o rapaz, o gentil sorriso senil do Vigário de Cristo deu lugar para uma expressão séria e introspectiva seguida da imposição de suas mãos e do movimento incessante de seus lábios a orar. Com esse gesto o jovem se retorceu. Manifestou-se em sua face uma brusca e tenebrosa expressão acompanhada dum furioso rugido emitido por sua boca. Após isso, o padre entregou aos seguranças do Papa algumas folhas com um envelope.

Para bom entendedor, um pequeno gesto basta. Diante dos olhos de milhares, o Bispo de Roma, estava proferindo uma oração de libertação (exorcismo) por aquele rapaz, o que levou o espírito imundo a se manifestar diante de todos (coisa que eles odeiam). Claro que a grande mídia não comentou o ocorrido. Provavelmente nem entendeu e, por isso mesmo, desdenhou o fato. Entretanto, inúmeros exorcistas de distinta cepa compreenderam claramente o que estava ocorrendo. Era uma piedosa oração de exorcismo sendo recitada com grande intensidade pelo Papa. Não o rito completo, obviamente, mas uma oração de libertação.

Tal fato seria uma novidade pontifícia? Não mesmo. O bem-aventurado Papa João Paulo II, de acordo com o padre Gabriele Amorth, durante muitos anos trabalhou em três exorcismos (essa lide não é nem um pouco simples). Aliás, o mesmo bem-aventurado predecessor do atual pontífice, trabalhou intensamente para realizar a escolha e formação de padres para essa tarefa e estimulava vivamente os bispos para que também laborassem neste esforço. 

Quanto ao Papa emérito Bento XVI, o esforço não era distinto. Principalmente em seu infatigável trabalho de relembrar a importância do zelo na celebração da Santa Missa. Zelo este que, muitas vezes, nestas plagas brasílicas, é substituído por improvisos, inovações e exageros simiescos, advindos dum orgulho inconfesso que, literalmente, desvirtuam a Santa Missa, esvaziando o seu sentido sacramental.

Quanto ao Papa Francisco, este, desde o primeiro dia de seu pontificado, não cansa de lembrar a todos nós, sem medo ou rodopios linguísticos, quem é o grande inimigo de nossa alma e da Santa Madre Igreja. Por isso, a realização duma oração que fez o demônio manifestar-se à luz do dia na Praça de São Pedro diante de todos, a meu ver, é um piedoso sinal da Providência para que tomemos ciência da presença e da ação de nosso adversário, um lembrete para que usemos as armas apropriadas para enfrentá-lo e, principalmente, para não cairmos na esparrela moderna que prega a sua inexistência.

Pax et bonum
Site: http://zanela.blogspot.com
e-mail: dartagnanzanela@gmail.com

Comentários