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Mostrando postagens de Abril, 2013

Prato de farinha para jecas

Por Luiz Felipe Pondé
Só duas coisas são certas na vida, "morte e impostos". Estamos nos últimos dias para você declarar seu IR. Imagino que esteja super feliz por ter essa chance de cumprir sua cidadania. Risadas?
O Estado brasileiro se arma até os dentes em tecnologias de arrecadação, mas continua a não entregar serviços. Avançamos pouco desde as capitanias hereditárias.
O Bolsa Família (coronelismo de esquerda) é um pouquinho melhor do que o prato de farinha que o "coroné" dava no Nordeste no dia da eleição.
Mas, se o governo é um leão em TI, um sócio sanguessuga, e nada nos dá em troca, o problema aqui é antes de tudo uma mentalidade miserável tanto do Estado brasileiro quanto duma cultura jeca que diz não gostar de dinheiro e abominar o lucro.
Com a advento do terrorismo de quintal em Boston, muita gente volta a ladainha de que os americanos são caipiras paranoicos. Errado!
Os americanos inventaram o país mais rico do mundo, no espaço de tempo mais curto da h…

ENTRE CHINELAS E AFAGOS

Escrevinhação n. 1003, redigida em 23 de abril de 2013, dia de São Jorge, quarta semana do Tempo Pascal.
Por Dartagnan da Silva Zanela

Me pego muitas vezes, cá com meus alfarrábios, digladiando com algumas questões e, confesso, não consigo encontrar uma resposta clara para a maioria delas. Vislumbro apenas, freqüentemente, um cenário cada vez mais complexo em que as questiúnculas se apresentam e com ele, uma gama muito maior de inquietações que antes não se faziam presentes. É, quem manda procurar chifres em cabeça de cavalo?
Uma dessas questões é sobre o ato de punir. Pergunto aos meus botões: punir é um ato de misericórdia ou de sadismo? Soa estranho aos nossos ouvidos politicamente corretos afirmar que punir possa seja um ato de misericórdia, mas o é. O excesso e bem como a leniência no punir, sim, são atos sádicos. No primeiro caso por nos deleitar com o sofrimento gracioso do outro. No segundo, em nos jubilar com o gradativo descambar do outro. Num e noutro caso, há uma dose indis…

NO CAMPO DO APRENDER

O Homem que era Quinta-feira de G.K. Chesterton

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Palestra de Henrique Elfes no Círculo de Estudos Políticos.

Não percam...

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Adoro te devote (Hino eucarístico)

Por São Tomás de Aquino
Adoro-Te com amor, Deus escondido,
Que sob estas espécies és presente.
Dou-Te o meu coração inteiramente,
Em Tua contemplação desfalecido.

A vista, o tacto, o gosto nada sabem,
Só no que o ouvido sabe se há-de crer.
Creio em tudo o que o Filho de Deus veio dizer:
Nada mais verdadeiro pode ser
Do que a própria Palavra da Verdade.

Na cruz estava oculta a divindade,
Aqui também o está a humanidade.
E contudo, eu creio e o confesso
Que ambas aqui estão na realidade,
E o que pedia o bom ladrão eu peço.

Não vejo as chagas, como Tomé,
Mas confesso-Te meu Deus e meu Senhor.
Faz-me ter cada vez em Ti mais fé,
Uma esperança maior e mais amor.

Ó memorial da morte do Senhor!
Ó vivo pão que ao homem dás a vida!
Que a minha alma sempre de Ti viva!
Que sempre lhe seja doce o Teu sabor!

OS LIMITES DA AVENTURA

Escrevinhação n. 1001, redigida em 14 de abril de 2013, dia de São Pedro Gonçalves Telmo, de Santa Ludovina e de Santo Abôndio. Terceira semana do Tempo Pascal.
Por Dartagnan da Silva Zanela

O limite é o elemento que nos dá forma. Tanto nosso corpo, como nosso comportamento e caráter, só podem ser reconhecidos como tal, por nós e por outrem, porque apresentam uma forma humanamente reconhecível na essência e nos acidentes (especificidades).
De um modo geral, o não enquadramento na forma irá apontar para traços que nos distinguirão enquanto indivíduos, porém, continuaremos necessitando do sentido que nos é dado pelos limites para que, inclusive, nossa singularidade possa ter fundamento, de modo similar a um riacho que tem a necessidade da pressão das margens para ser o que é.
Um exemplo que, penso eu, nos auxiliaria na compreensão disto, é-nos dado por uma cena do filme “As aventuras de Pi” (direção de Ang Lee). Referimo-nos, especificamente ao momento em que o garoto tem sua primeira ex…

E o barco chegou imediatamente à terra para onde iam

Santa Teresa Benedita da Cruz (Edith Stein)
Quando as tempestades rebentam
Tu és, Senhor, a nossa força.
Louvar-Te-emos, a Ti, Deus forte,
Nosso constante socorro.
Perto de Ti aguentamos firmes,
Em Ti pondo a nossa confiança,
Ainda que seja sacudida a Terra,
E que se encapele o mar.

Podem as ondas enrolar-se e desenrolar-se,
Podem as montanhas vacilar,
A alegria há-de iluminar-nos,
A cidade de Deus dá-Te graças.
Tens nela a Tua morada,
Preservas a sua paz santa.
E um poderoso rio protege
A sublime morada de Deus.

Sublevam-se em loucura as multidões,
Colapsa o poder dos Estados.
Eis que Ele levanta a voz,
A Terra brame, sacudida.
Mas o Senhor está connosco,
O Senhor, o Deus Sabaoth.
Tu és para nós luz e salvação,
Contigo, jamais experimentaremos o medo.


Vinde todos, vinde contemplar
Os prodígios do Seu poder:
Todas as guerras se extinguem,
A corda do arco desentesa.
Lançai para o braseiro de fogo
Escudo e arma de guerra.
O Senhor, o Deus Sabaoth,
Socorre-nos na tribulação.

Aula do Curso Online de Filosofia - Olavo de Carvalho - 06 de abril de 2013.

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Para entender o que está ocorrendo no mundo hoje.

A sociedade atual está menos preparada para a morte

Por Umberto Eco
A "Magazine Littéraire", uma publicação mensal da França, dedicou um número recente a um único assunto: como a literatura trata o tema da morte. Eu o li com interesse, mas afinal fiquei desapontado. Alguns artigos podem ter tocado ideias com as quais não tinha familiaridade, mas em última instância eles apenas reiteraram uma tese bem conhecida: que além de abordar a ideia do amor a literatura sempre lidou com o conceito de morte.
Os artigos apontavam a presença da morte tanto nas narrativas do século passado como na literatura gótica pré-romântica, mas também poderiam ter citado a mitologia grega - talvez a morte de Heitor e o luto de Andrômaco - ou o sofrimento dos mártires em muitos textos medievais. Para não falar no fato de que a história da filosofia começa com a premissa do mais fundamental dos silogismos: "Todos os homens são mortais".
Talvez o problema tenha origem no fato de que as pessoas leem menos livros hoje do que nas gerações passada…

A VERDADE DUM CORAÇÃO ENFERMO

Escrevinhação n. 1000, redigida em 08 de abril de 2013, dia da festa da Anunciação do Senhor, de Santa Júlia Billiart e de Santa Cacilda.
Por Dartagnan da Silva Zanela

Os anos passam como tudo o mais. As gélidas mãos de Cronos, que por nossa face deslizam, deixam suas marcas próximas às janelas da alma para que compreendamos que tudo que um dia alvorece irá, cedo ou tarde, crepuscular. A recusa em aceitar a passagem dos anos como um dos fatos mais belos da existência é uma das comédias mais tristes que já foram encenadas nos palcos da vida. Tristeza risonha que hoje, muito mais que em qualquer época, representa incansavelmente as infindáveis reprises deste enfadonho espetáculo.
Envelhecer é preciso, lembra-nos Nelson Rodrigues. Sim! Se recusamo-nos a envelhecer nos tornamos pessoas pouco generosas, nada heroicas e tão pouco humanas, tal qual vemos atualmente pelas ruas, nas redes sociais, nos protestos junto ao Congresso e em nosso mórbido cotidiano que, mesmo amarelado pelos dias que…

DAS LÁGRIMAS DERRAMADAS SOBRE A SEPULTURA ANÔNIMA OCULTA

BLÓGICOS VERSOS - II

A verdade caminha vagarosamente
Silenciosamente ela anda
Pelos corredores da mente
Sussurrando ela nos chama.

Por Dartagnan Zanela, em 08/IV/2013

Reforma do Código Penal Brasileiro - Padre Paulo Ricardo

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BLÓGICOS VERSOS - I

O inflamado e envaidecido ego
Não ouve o ressoar do eco
Do pedido desesperado
Gritado bem ao seu lado.

Por Dartagnan Zanela, em 08/IV/2013.

CONFISSÕES DUM OLHAR ANÔNIMO

Escrevinhação n. 998, redigida em 27 de março de 2013, dia de São Ruperto.
Por Dartagnan da Silva Zanela

Penso que não há nada mais deprimente que vermos um indivíduo adulto, pleno de suas capacidades, choramingando, lamentando que a vida, no seu entender, não lhe regalou tudo aquilo que ele imagina merecer. Se formos francos, todos nós, vez por outra, acabamos por cair nesta esparrela. Tal fato, em si, já seria suficientemente vergonhoso. Porém, como todos sabem, há indivíduos que fazem do lamentar um estilo de vida. Aí, nestes casos meu amigo, o vexame não é pouco.
O ato de reclamar, que hoje foi elevado a uma categoria cívica, nominada pela elegante alcunha de reivindicar, em si, não apresenta nenhuma qualidade excelsa se pararmos pra pensar. Aliás, lembro-me, com muita gratidão, dos ensinos a mim ministrados por meus pais que me diziam, quando infante, que não há mérito algum em legislar em causa própria. Podemos resumir a lição, que sempre guardei comigo desde meus tempos de guri…