O futuro traidor


Por João Pereira Coutinho

Anos atrás, quando Ingrid Betancourt foi resgatada da selva colombiana, o Partido Comunista Português recusou-se a saudar o feito. Motivo?

A sra. Betancourt tinha sido salva pelo presidente Álvaro Uribe das mãos das FARC. E entre Uribe e o "comandante" Enrique, os comunistas lusos não escondiam as suas simpatias.

Na altura, no jornal "Expresso", ainda perguntei aos camaradas se a sra. Betancourt deveria ser jogada de volta à selva. Sobretudo se se provasse que o resgate tinha sido feito com o intolerável apoio americano. O PCP, essa deliciosa relíquia stalinista que persiste na Europa Ocidental, não chegou a responder.

Felizmente, vejo com bons olhos que Portugal não é caso único em matéria de atraso político e até intelectual. Era Eça de Queirós quem dizia, com piada, que os brasileiros eram portugueses inchados pelo calor. O que significa que os vícios portugueses, no Brasil, também incham com a temperatura.

Assim foi com a blogueira cubana que, em visita ao Brasil, foi acusada de mil torpezas por uma parte da esquerda local. Mas, entre todos os insultos, um deles dominou a minha atenção: a sra. Yoani Sánchez denuncia os abusos da ditadura castrista porque existe dinheiro americano por detrás. Ela é, resumindo, uma traidora do seu próprio país.

A acusação é interessante porque existem vários equívocos nela. [continue lendo]

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