PARA DESENVENENAR A ALMA


Escrevinhação n. 993, redigida em 25 de fevereiro de 2013, dia de Santa Valburga e de São Tarásio.

Por Dartagnan da Silva Zanela


O futuro está nas mãos dos jovens. Sim, podemos afirmar isso com toda aquela lengalenga populista que insufla nos tenros corações desejos ululantes de mudar o mundo ou, simplesmente, lembrar o óbvio: nossa geração irá perecer e eles envelhecer, queiramos ou não.

Com esse espírito, o Beato João Paulo II, em sua primeira visita ao Brasil, pronunciou-se, numa dada ocasião, aos jovens brasileiros. Wojtyla tomou como ponto de partida as seguintes palavras da Sagrada Escritura (Isaías LVI; 1): “Cumpri o dever, praticai a justiça”. Estas palavras, penso eu, devem tocar os corações de todas as gerações, porque nos acostumamos a apenas recitar opiniões como um boneco de ventríloquo e, na verdade, urge que aprendamos a ser testemunhas fiéis de nossos compromissos firmados com Aquele que é o caminho, a verdade e a vida. E, se formos sinceros, reconheceremos que falhamos neste quesito.

Neste sentido, lembra-nos o predecessor de Bento XVI que a justiça apenas se faz verdadeira se baseada no sujeito humano, incluindo o reconhecimento de sua dimensão transcendente, que é a imagem e semelhança de Deus. Toda vez que imortalidade da alma é desdenhada, o ser humano vê-se reduzido a um reles instrumento.

Por essa razão, Karol, o homem que se tornou Papa, nos lembra que “um jovem cristão deixa de ser jovem, e há muito não é cristão, quando se deixa seduzir por doutrinas ou ideologias que pregam o ódio e a violência”. Ideologias estas que fomentam e destroem as liberdades humanas fundamentais. Ideologias que facilmente injetam no coração dos mancebos a ideia de que os fins justificam os meios. Ideologias que os exaltam como pessoas únicas em seus desejos, ao mesmo tempo em que os atiram à alienação aliciante duma multidão massificada crendo candidamente que estão fazendo algo bom e justo.

Penso que um bom exemplo disso é a forma como alguns jovens, com suas almas carcomidas pela ideologia marxista reinante nestas plagas, trataram a blogueira cubana Yoani Sánchez, com toda ordem de vitupérios. Qual a razão? Ela escreve e fala contra a ditadura da dinastia Rubro-castrista que impera no Caribe a mais de meio século e que eles, jovens obscurecidos pela ideologia que os instrumentaliza, idolatram.

Por essas e outras que acredito que as advertências de Karol Wojtyla, que sentiu na pele o que significa viver num país onde tudo e todos são instrumentalizados em nome de um projeto de poder totalitário, são muitíssimo apropriadas para refletirmos sobre os rumos que estão sendo apresentados aos jovens que, dum jeito ou doutro, são o futuro de nossa envergonhada nação.

Por fim, naquela saudosa ocasião, João Paulo II indagou aos jovens: Para onde pretende ir juventude brasileira? A nobreza ou a indignidade de nosso futuro está prenhe na resposta que for dada a essa pergunta. Resposta essa que, queiramos ou não, já está sendo tecida através de atitudes mesquinhas como a que foi apontada em meio a essas linhas.

Pax et bonum
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