QUANDO A PEDRA ANGULAR É NEGADA


Escrevinhação n. 985, redigida em 08 de janeiro de 2013, dia de São Severino.

Por Dartagnan da Silva Zanela

Lembro-me que, em minha porca juventude, fui um leitor voraz das obras de Leonardo Boff. Não li todos os seus livros, mas em muitos de seus títulos deitei minhas vistas.

Na época eu poderia dizer, junto com Fidel Castro, que se a Igreja Católica fosse similar ao “cristianismo” de Boff, eu a integraria. Sim! Nestes idos eu estava distanciado do Corpo Místico de Cristo devido a uma dose desmedida de curiosidade frívola num misto com um bom tanto de vaidade. Eis aí a chave de interpretação para o quadro que pretendo descrever: nesta época, eu era um ateu por adesão.

Por ter minha alma obtusa à Verdade Divina, via nos escritos do referido teólogo, um cristianismo sem Deus e, por isso, minha simpatia para com sua obra em minha mocidade. Seus textos transmitiam apenas alguns valores cristãos esvaziados de todo seu conteúdo ontológico, onde o Verbo Divino encarnado era reduzido a um reles líder político revolucionário e, para minha alma medíocre, desarmada e, principalmente, envenenada pelas crendices marxistas de revolução e luta de classes, era perfeito. Um cristianismo que, com muita sutileza, nega o Cristo.

Lembro-me, claramente, da entrevista concedida pelo autor de “Igreja: Carisma e poder” em 1980, onde ele declarava abertamente que o que ele pretendia não era fazer teologia com o marxismo, mas sim, levar o marxismo para dentro da Igreja (mais uma infiltração). Naqueles idos pueris de minha vida, tudo isso me parecia muito interessante, porque reduzia a Santidade da Igreja à estultice de minhas convicções.

Bem, os anos passaram e, graças a Providência, essa fase obscura de minha vida findou. Hoje compreendo, com relativa clareza, o quão perversa são as obras desta lavra e o quão facilmente almas levianas e mal informadas podem cair neste canto de sereia.

Confesso que precisei de muita oração e abrir-me para as obras dos Santos da Igreja, estudando os seus escritos e suas vidas para aprender o que significa realmente fazer parte da Igreja e, deste modo, poder reconhecer o quão distante desta estão os ensinos desta teologia apóstata que transmuta a imagem do Reino de Deus numa utopia política.

Não obstante, sei que não são poucas as vozes a gritar que existem muitos pobres no mundo e não poucas as injustiças e crueldades cometidas. Aliás, verdade seja dita, ninguém nega esse quadro. Nega-se, sim, a solução política amarrada com a referida teologia que, até o momento, apenas agravou, e muito, esse cenário de miséria e tristeza dos que sofrem. Basta que conheçamos os frutos do socialismo real para compreendermos a imensidade do cinismo inerente ao socialismo ideológico advogado na América Latina.

Por fim, hoje entendo porque Nosso Senhor falou “Vade retro Satanás” a São Pedro quando esse lhe disse para não cumprir a Vontade do Pai. Mas é claro que para aqueles que veem-se enredados na arapuca da libertação, as palavras de Boff e tutti quanti são mais pias que os ensinamentos Daquela que é Mãe e Mestra, pois, o mais importante para elas não é a salvação das almas, mas sim, a tal da revolução que tudo justifica.

Pax et bonum
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