PELO DESERTO


Escrevinhação n. 985, redigida em 30 de dezembro de 2012, dia da Sagrada Família e de São Rugero.

Por Dartagnan da Silva Zanela


Confesso: diante dos problemas que assolam o mundo e os escândalos que envergonham o firmamento, não é muito difícil ter a fé abalada. Porém, cair e ver-se mergulhado em uma crise espiritual não é o fim da picada. Faz parte de nossa jornada por esse vale de lágrimas.

Sei que é difícil, para homens do século XXI, com a alma toda carcomida por uma cavalar dose de vaidade, orgulho e soberba, reconhecer nossa debilidade originária. Porém, mesmo que neguemos isso, que finjamos ser fortes ou ignoremos essa verdade ela, mesmo assim, se faz presente.

O não reconhecimento das limitações de nossa inteligência e de nossa fé não nos fortalece. Pelo contrário, nos deixa vulnerável aos inúmeros ataques mundanos que nos acediam em todas as searas. Seja através dos meios de comunicação, das relações sociais, dos jogos de poder, do sistema educacional, enfim, em toda e qualquer ocasião somos presas potenciais do ladrão d’almas.

Eis a razão que levou o Papa Bento XVI a convidar os fiéis para, neste ano da Fé, dedicar-se ao aprofundamento dela, estudando o Catecismo da Santa Madre Igreja e os documentos do Concílio Vaticano II, pois, se a oração é a respiração da alma, o estudo é seu alimento.

Em vista disso, penso que não preciso dizer, mas o digo mesmo assim: é por isso que nossa vida espiritual anda anêmica, desnutrida e com problemas respiratórios crônicos. Se nossa fé está debilitada, e nossa inteligência mal alimentada, é praticamente inevitável a queda, o afastamento da vida religiosa ou sua vivência morna.

Se o amigo entregar-se ao devoto trabalho de abrir e estudar o Catecismo verá que uma das primeiras questões meditada nele é a da Fé e dos obstáculos que lhe são apresentados pela vida moderna. Aliás, se formos um pouco mais dedicados e procurarmos conhecer a vida de alguns Santos, constataremos que muitíssimos deles passaram por terríveis desertos espirituais e aprenderemos, com essas aquilatadas almas, como levantar-se e perseverar.

Sim, há inúmeras contradições no mundo contemporâneo e mesmo no ceio do chagado Corpo Místico de Cristo. Mas e quem disse que esse mundo é o reino da perfeição? Somente tolos crêem que utopias políticas e/ou um consumismo conspícuo podem substituir a Luz e a Paz que advém do Altíssimo. 

Este mundo, e o coração de todos, encontra-se maculado pelo pecado original. Negar essa condição eivada de tensões e contradições seria o mesmo que tapar o sol com a peneira. Por sua deixa, negar a ação de Deus em nossa vida seria apenas um ato estulto de nos fechar á Providência Divina para ficarmos obtusos em nossa egolatria improvidente.

Agora, fortalecer a fé no exercício da razão e lapidar esta na vivência sólida da fé, pode nos ajudar, e muito, em nossa caminhada por esse deserto de lágrimas ressecadas no calor das dúvidas hodiernas vazias e maliciosas. Essa vereda, não converterá o mundo inteiro, mas talvez, quem sabe, converta os átrios de nossos pequeninos corações.

Pax et bonum
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