O Círculo Vicioso Brasileiro



Por Mario Guerreiro

Há uma coisa que acontece frequentemente comigo, mas estou certo de que acontece também com muita gente. Como não uso óculos para ler, quando começo a ler um livro ou um jornal tiro imediatamente os óculos e os ponho em algum lugar.

Terminada a leitura e quando tenho que sair à rua, procuro então meus óculos. Mas, para encontrá-los onde os pus, preciso de óculos. E como enxergar os óculos sem óculos?

Esse é um dos muitos círculos viciosos com os quais costumamos deparar na vida cotidiana, mas o que pretendo formular aqui é muito mais grave e angustiante.

A educação no Brasil vem sofrendo há muitos anos uma deterioração crescente. Isto é algo facilmente reconhecível por qualquer pessoa com um mínimo de percepção das coisas.

Desde o ensino básico até o superior, a educação tem piorado exponencialmente. As conseqüências mais palpáveis talvez possam ser detectadas no vocabulário pobre e no linguajar tosco da maioria da população em todas as classes sociais.

Não só as pessoas em geral falam mal como também debocham dos que falam bem e, além disso, carecem de algumas noções elementares de geografia, história, matemática, etc. – nada que não faça parte dos currículos do primeiro e do segundo grau e que era de se esperar que as pessoas tivessem aprendido ao concluir essas duas etapas do ensino.

As pessoas que chegam à universidade - e que são um pequeno número em relação à grande população do Brasil - carregam todas as deficiências herdadas de uma péssima formação básica – coisa que dificilmente pode ser suprida no terceiro grau.

Mas até aqui estivemos nos restringindo à educação formal, quer dizer: a que é fornecida pelas escolas, colégios, universidades, etc.. Esta forma de educação complementa-se com a educação informal, quer dizer: a que começa em casa. E esta é tão ruim quanto aquela. [continue lendo]