TERNEIRO

por Dartagnan da Silva Zanela

Ah! Meu terneiro, meu terneirinho,
Lembro-me de tua chegada,
De tão longe você veio
Tropicando nas patas,
Todo lambido e manhosinho.

Meu terneiro, meu terneirinho,
O tempo passou,
E algo, de fato, mudou.
Você foi crescendo,
Foi ficando folgado,
Espichadinho,
Eita bicho danado.

Ah! Meu terneiro, meu terneirinho,
Suas medidas aumentaram,
Você ficou gordinho,
Teu corpo, todo roliço
De tanto mamar deitado.
Por isso, bonitinho,
Desculpe a mão que te trata
Que agora diz: basta!

Meu terneiro, meu terneirinho,
Peço-te que não fique magoado,
Mas acho que oito anos de teta
Dezesseis de fino trato
Já está de bom grado.

Meu terneiro, meu terneirinho,
Não sei se você sabe,
Mas sua gula deixou o pasto ralo,
O ubre da vaca ficou fraco,
E o tratador, cansado.
Por isso, não reine,
Porque, neste ano novo,
A canga, boizinho, está no aguardo.

É meu terneiro, meu terneirinho,
Não berre, nem fique bravinho,
O desmame é à vontade do povo
Que se cansou de você
Com seus marotos pinotes,
Bicho folgadinho.

A canga é pesada terneiro, meu terneirinho,
Mas não mata nem apimenta as vistas.
Agora, você com essa sua fome canina,
Que até parece um chupa-cabra,
Pode acabar com a alegria de nossa cidade.
Por isso, o desmame é agora.
Basta!

Vai, vai-te embora
Meu terneiro, meu terneirinho,
Não olhe para traz...
Segue o teu caminho.

Reserva do Iguaçu, V/X/MMXII.