UM OLHAR POLITICAMENTE INCORRETO


Escrevinhação n. 961, redigida em 12 de agosto de 2012, dia do Bem-aventurado Papa Inocêncio XI, de Santa Joana Francisca de Chantal e do Padre Leão Dehon.

Por Dartagnan da Silva Zanela


Não são poucas as análises apresentadas sobre o cenário político atual. Diante deste quadro o mais sensato seria não apontar nenhuma linha sequer sobre o tema para não mais intoxicar o leitor. Mas como sou um tanto abusadinho, sem a menor cerimônia, cá estou eu com uma brevíssima pontuação sobre as eleições municipais deste ano de 2012 da Graça de Nosso Senhor.

Nesta, não discorrerei sobre os atores principais (os candidatos), mas sim, sobre os coadjuvantes (os leitores). Penso que podemos eleger alguns tipos ideais que bem representam os possíveis comportamentos do eleitorado em um pleito eleitoral em uma república como a nossa. O primeiro é o tipo capachão. Ele deve algum favor (bem grande) ou tem alguma sinecura junto ao paço e defende seu candidato com unhas e dentes. Um segundo seriam os capachões rancorosos, que apoiam um candidato para poder, quem sabe, tornar-se um capachão saciado.

Há um terceiro, o eleitor tecnocrata estrábico. Este pensa que tudo se resolve tecnicamente e imagina que o esvaziamento das discussões políticas seria a grande solução para todos os problemas sem nunca ter ponderado sobre as consequências desta sua concepção diminuta da vida cívica. Aliás, bem provavelmente ele seria incapaz disso.

Temos também o militante engajado. Este crê que os perrengues poderão ser resolvidos através da politização de todas as esferas da vida e, da mesma forma que o tipo anterior, não entende nada do que está falando e nem de longe é capaz de calcular as implicações de suas ideias e ambos são instrumentos perfeitos nas mãos de terceiros que os utilizam para realização de fins que eles desconhecem. O mais engraçado nestes dois casos, meu caro Watson, é que ambos imaginam que são detentores que uma consciência crítica agudíssima superior a média da patuléia.

Não podemos nos esquecer dos eleitores tardiamente adolescentes. Estes são um caso sério. Sujeitos com seus vinte, trinta ou mais anos de vida e continuam a viver como se ainda tivessem dezesseis. São indivíduos que não são responsáveis por suas vidas e, mesmo assim, encontram-se investidos do poder de influir na tomada de uma decisão que irá afetar a vida de todos, inclusive daqueles que compreendem claramente o que significa uma vida madura responsável.

Por fim, temos o que chamaremos de eleitores infantojuvenis. Estes são pessoas magoadas e ressentidas com fulano ou sicrano e por esse critério emotivo vulgar avaliam a possibilidade de votar em beltrano ou outrano. Quer dizer, se eu gosto é bom, porém se magoei é mal. Sei que tal tipo parece um tanto extravagante para mensurarmos o comportamento de pessoas tidas como adultas, porém, essa reação é bem mais frequente do que se possa imaginar.

Sem mais delongas, imagino que podemos recorrer a esses jocosos tipos ideais para avaliar a nossa maneira de votar e vermos em que medita cada um destes modela nossa (im)postura no ato de votar e assim, quem sabe, possamos nos elevar acima da torpeza que há em cada um deles e, naturalmente, em cada um de nós.

Pax et bonum
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