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Mostrando postagens de Junho, 2012

NO CALDEIRÃO DAS BRUXAS

Escrevinhação n. 952, redigido em 18 de junho de 2012, São Gregório João Barbarigo.
Por Dartagnan da Silva Zanela
Afirmar que a condenação da bruxaria é algo razoável, atualmente, soa indelicado. Não é por menos. Hoje, tal prática é pintada pela grande mídia e pelo ensino oficial como um reles produto da diversidade cultural. Os praticantes desta aparecem como heróis outsiders ou apenas como inocentes senhoras que faziam chazinhos com ervas e que injustamente eram condenadas pelos padres malvados. Mas será que é isso mesmo?
Bem, em termos antropológicos, Claude Levi-Strauss nos lembra que as práticas mágicas firmam-se em três colunas: (i) a vítima do encanto deve crer na existência e eficácia dos poderes do feiticeiro, (ii) o feiticeiro deve crer que ele controla forças sobrenaturais e (iii) deve haver em torno de ambos um círculo de pessoas que reafirme essa convicção criando uma atmosfera de credulidade.
Ora raios! Se formos avaliar as inocentes práticas de bruxaria apenas por esse vi…

A LETRA MAIS DO QUE MORTA

Escrevinhação n. 951, redigido em 18 de junho de 2012, São Gregório João Barbarigo.
Por Dartagnan da Silva Zanela

Já faz algumas luas que tive a grata alegria de ter lido um auspicioso artigo da lavra de Umberto Eco sobre a arte da caligrafia. Sim, uma arte tão simples quanto elegante que por gerações foi cultivada com grande esmero para que, com as palavras escritas de punho, uma pessoa torna-se clara suas ideias e percepções, desejos e inquietações. É, bons tempos.
Bons tempos em que a palavra escrita servia para que as pessoas se comunicassem, tornando comum a todos algo pessoal. Belos dias em que a beleza das curvas e retas traçadas por uma mão firme e guiada por olhos atentos tinha valor. Admiradas por uns, invejadas por outros e, por todos, reconhecida como um bem.
Todavia, como todos sabem, a turba medíocre há muito impera sobre essas plagas. A beleza não mais tem lugar ao sol. A clareza também foi excluída de seu assento nesta obscura república de letras inelegíveis e de ignorân…

DOM LUIZ GONZAGA BERGONZINI, grande defensor da vida, descanse em paz...

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Santo Antônio de Pádua, rogai por nós

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PEDAGOGIA MEFISTOFÉLICA

Escrevinhação n. 950, redigido em 10 de junho de 2012, dia dos Bem-aventurados Eduardo Pope e João Dominici.
Por Dartagnan da Silva Zanela

Nos lembra Otto Maria Carpeaux que as vozes do passado, as vozes proféticas do passado, quando evocadas nos ensinam a interpretar a nossa vida, nos julgam e em muito nos auxiliam na feitura de um bom exame de consciência. Mas, e quem está interessado nisso, não é mesmo? Que se dane o preço da banha.
Ora, e é por isso mesmo que a questão urge. Para tanto, recorro a uma voz não tão distante de nossa época para que nos auxilie neste momento tão breve quanto inútil, recorro às luzes de C. S. Lewis, homem que com suas palavras alumia os dias plúmbeos em que vivemos.
Em sua obra “A abolição do homem”, o referido autor nos admoesta para o fato de que na modernidade a educação não mais inicia as tenras almas no conhecimento da verdade e no cultivo do bom discernimento entre o bem e o mal. O que se têm é apenas um condicionamento do aluno a propósitos que ser…

ME ENGANA QUE EU GOSTO

Escrevinhação n. 949, redigido em 03 de junho de 2012, dia de Santa Clotilde e de São Carlos Lwanga e companheiros.
Por Dartagnan da Silva Zanela

Sempre desconfio daqueles que se autoproclamam portadores monopolistas das virtudes humanas. Em regra, quando mais esses tipos enaltecem as suas ditas qualidades morais, mais eles se tornam cegos frente aos seus vícios mais patentes. E, no Brasil, em um ano eleitoral, isso chega a um nível de absurdidade sem precedentes, diga-se de passagem.
De alto a baixo aparece, nos círculos de conversa miúda, que abundam nestas plagas, toda ordem de trololós moralistas tão chatos quanto fingidos. Todo mundo diz estar de saco cheio da corrupção reinante, da perversão do serviço ao bem comum, dos escândalos que não mais escandalizam ninguém, de tudo, menos de si mesmos.
Sem ofensas, mas, certo estava Capistrano de Abreu que há muito afirmou que o problema de nossa pátria é a falta de vergonha na cara. Bem, esse era o problema, visto que, a pouca vergonha qu…