NESTA EFÊMERA ESTRADA DA VIDA

Escrevinhação n. 936, redigido em 06 de março de 2012, dia de Santa Rosa de Viterbo, de Santa Coleta e de Santa Inês de Praga.

Por Dartagnan da Silva Zanela

Diga-me com quem andas que eu direi quem tu és. Alias, quem somos? Somos as circunstâncias que vivemos, o que delas fazemos e, essencialmente, os companheiros de viagem que elegemos para nos acompanhar em nossa caminhada por esse vale de lágrimas.

Entendamos por companheiros de viagem não tão só e simplesmente os nosso pares que se fazem presentes em nosso labor diário. Referimo-nos também, e principalmente, aos livros e seus respectivos autores que passam a habitar o âmago de nosso ser.

Sim, é mais do que natural que um ser humano, no correr de sua vida acabe por elencar alguns livros cuja leitura marcou e transfigurou a sua vida, bem como alguns autores que o influenciaram com sua obra e com sua pessoa, que se faz transparecer nas laudas de sua lavra.

Nesse sentido, que as palavras do Santo Evangelho iluminam nossa pena e nos leva a propor essa indagação. Diga-me quem você leu, que eu direi que tipo de pessoa você é. Diga-me com que intenção você lê que eu te direi qual é a têmpera de seu caráter. Melhor! Nada direi. Quem dirá será você se, realmente, você dá algum valor para si mesmo.

Afirmo isso, pois, no caso dos olhares que habitam essas terras cabralinas, as brasilianas almas andam muito mal acompanhas a caminhar pelo ermo, sem rumo e nem prumo, orgulhando-se de sua estultice, seja ela diplomada ou não. O brasileiro não ama os tomos, não cultiva a menor devoção à leitura. Aqueles que o tem sabem muito bem do que estou falando e, aqueles que não, fingem descaradamente aquela surrada indignação (depre)cívica que não engana ninguém além deles mesmos.

Por isso, quando se pergunta a uma pessoa qual livro lhe marcou a vida e que, vivamente recomendaria para outrem, o silêncio ecoa, a mão roça as madeixas e o fingimento permeado de justificativas tolas toma conta do sujeito que não quer, de jeito algum, reconhecer-se em sua torpe condição.

Torpe solidão interior de uma alma vazia e desarmada que se permite ser preenchida com qualquer pacová que lhe seja ofertado pela mídia espetaculosa reinante e pelas conversar vazias que ocupam o seu tempo, seu precioso tempo desperdiçado por um sujeito que não sabe usá-lo por não saber e por ignorar as possibilidades que poderiam ser ventiladas em sua vida se, é claro, ele resolve-se mudar de companhia.

Infelizmente, gostamos da conversa miúda e vulgar. Elas alentam nossa fraqueza e estimulam nossa autopiedade e muito nos auxiliam em nosso esforço de simular uma dignidade que nunca possuímos e que nem mesmo desejamos.

Pax et bonum
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