LENDO JORNAIS SEM AGRILHOAR-SE A ELES

Escrevinhação n. 934, redigido em 08 de fevereiro de 2012, dia de São Jerônimo Emiliano e Santa Josefina Bakhita.

Por Dartagnan da Silva Zanela

Uma das sensações mais terrificantes que existe na atualidade é a de que estamos, supostamente, informados sobre tudo o que está ocorrendo sem nada entender do que está se passando. Ficamos, diariamente, antenados com os telejornais da manhã, da tarde e, porque não, com os das últimas horas da noite. Isso sem falar na assinatura de revistas semanais e de jornais diários. Tudo isso para nos manter informados sobre tudo e continuarmos sorumbaticamente sem compreender nada. Porém, fingido tudo saber.

Aliás, se nos permitirmos, por um instante que seja, sair deste vicioso círculo noticioso, iremos perceber que todo noticiário que se faz presente estrutura-se de modo similar a uma novela. De uma novela chula. Por isso, se estivermos dispostos, podemos fazer uma experiência. Tome uma folha em mãos e divida ela em colunas (para os telejornais) e linhas (para as manchetes e notícias diárias). Selecione, pelo menos, uns quatro telejornais e os acompanhe por uma semana não se esquecendo de anotar as principais notícias apresentadas diariamente por cada um deles. Chegando ao término da semana veremos que as principais notícias coincidem, nos vários telejornais, sempre nos apresentando mais um pouco do mesmo assunto.

Resumindo o coreto: desperdiçamos, diariamente, preciosas horas de nosso tempo agrilhoando-nos à ficção de estarmos plenamente informados sobre os acontecimentos mais importantes sem ao menos indagar sobre a real relevância destes, sem questionarmos os critérios que levaram essa ou aquela notícia ocupar um lugar de destaque em, praticamente, todos os jornais e, é claro, sem perguntar qual a importância disso tudo para nós.

Agindo assim, literalmente permitimos que estes nos digam o que devemos pensar e, deste modo, ocupem o oco tempo de nossas tolas conversas, independente da pose que cultivemos nestas horas. Conversas essas que, merecidamente, podem ser chamadas pela alcunha de papagaiescas, visto o fato de levianamente repetirmos aquilo que vimos, ouvimos ou lemos nos noticiários.

Talvez, penso eu, seria muito mais proveitoso ocupar parte deste tempo lendo notícias velhas, manchetes de dez ou quinze anos passados para podermos vislumbrar o desencadear dos acontecimentos até os dias hodiernos e vermos o quanto que a obsessão pelo imediato nos tolhe a inteligência.

Com toda certeza, as amareladas folhas de um jornal não nos deixarão “plenamente informados”, porém, poderão dar-nos uma compreensão mais lúcida dos acontecimentos presentes à luz das notícias esquecidas.

Pax et bonum
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