UM CANSADO OLHAR REFLETIDO NO ESPELHO

Escrevinhação n. 927, redigido em 03 de janeiro de 2012, dia de Santa Genoveva.

Por Dartagnan da Silva Zanela


Com grande facilidade nos esquecemos, principalmente do que não deveríamos esquecer e, com a mesma facilidade, nos entregamos as mais diversas distrações que, atualmente, chamamos de entretenimento.

Fora de nosso soturno trabalho temos nosso tempo livre preenchido com as mais parvas ocupações e, provavelmente, a que mais ocupa o centro de nosso ser é, sem dúvida alguma, a programação televisiva.

Estima-se que o brasileiro, em média, assiste cinco horas por dia de televisão. Cinco por dia, trinta e cinco por semana. Talvez um pouco mais ou, quem sabe, um pouco menos. Em fim, cada caso é um caso singular de desperdício de tempo, de desumanização visível de uma vida.

Evidentemente que esse estado de coisas empobrece, significativamente, a humanidade de nossa sociedade turvando o caráter de cada um dos membros desta choldra ignóbil chamada Brasil. Pior que isso! Como nos adverte Wolfgang Smith, em “O demônio da distração”, esse cenário em que encontramo-nos inseridos está levando-nos a perda de nossa inteligência mais elevada, de nossa liberdade e, em suma, daquilo que realmente nos caracteriza como humanos.

Tamanho é o grau de insanidade que hoje se assenhora das almas destas paragens que muitíssimos são os que veem com grande naturalidade a vulgaridade e a baixeza tomarem assento ao centro da vida social e, consequentemente, de nossa pessoa. Bem, quando afirmo isso, não estou a pedir para que aponte o seu dedo sórdido para os exemplos que abunda a nossa volta e que se fazem reinantes nos canais de televisão, mas sim, para o seu olhar embasbacado diante de tudo isso, fixado, sem mover um milímetro da fanfarronice midiática.

Se não o movemos não é porque a televisão tenha uma força hipnótica sobre nossas almas, ou porque seus senhores recorram aos mais variados subterfúgios para nos escravizar. Eles até usam, mas não é por isso não, meu caro, que agimos assim. Procedemos deste modo porque, à sua maneira, a TV é uma infernal maquinaria de Narciso, um espelho que reflete em sua tela as sombras mais vulgares que habitam em nosso íntimo projetando-as no centro de nosso ser. Ela apenas maximiza os nossos desejos mais secretos.

E se corremos por essas veredas é porque somos seres volitivos, porque permitimo-nos a fraqueza. A procura pela plenitude, pelo crescimento em Espírito e Verdade foi varrido para debaixo do tapete de nossa história pessoal e civilizacional e substituída pela desídia moral e intelectual que, similar a Rainha de Copas, passa a ditar regras sem sentido para nossas vidas vazias e sem propósito.

Pax et bonum
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