POR UMA BOA CAUSA

Escrevinhação n. 929, redigido em 15 de janeiro de 2012, dia de São Paulo – o ermitão, Santo Mauro, Santo Arnaldo Janssen, do Bem-Aventurado Luis Variara, de Santo Plácido e Santo Romédio.

Por Dartagnan da Silva Zanela

Ensina-nos Durkheim que os fatos sociais são uma função do sistema social de que fazem parte e que não podemos compreendê-los quando os destacamos dele. Assim sendo, pensar a educação, enquanto fato social, sem considerar o sistema social em que está inserida é algo deveras inapropriado. Entretanto, com imensurável frequência.

Isso se deve ao fato de nossa educação sofrer de um cavalar fetiche em torno de certas palavras que fornece aos ensinadores e burocratas pedagógicos um relativo conforto emocional, fazendo com que se sintam justificados em suas alucinações através do uso das ditas letrinhas amontoadas que nem mesmo eles compreendem claramente o que significam e a que realidade elas remetem.

Trocando por miúdos, estes sujeitos que amam falar da necessidade urgente de transformar a sociedade através da educação, desconhecem desdenhosamente o que é a sociedade e qual seja a função basilar da educação nela, trocando-as pelo apego as camadas sentimentais e retóricas que compõe as frases feitas que integram o seu limitado horizonte de consciência.

É fato que neste país há um imenso desdém pelo estudo ao mesmo tempo em que venera-se os pífios diplomas e certificados. Amor esse presente, principalmente, entre aqueles que estão incumbidos de educar e organizar a educação. Nesta atmosfera antiintelectual tacanha é que se desenvolvem as discussões sobre os temas capitais que irão moldar o fazer pedagógico. Ou seja: sem ao menos ter-se estudado e investigado este ou aquele assunto, lá se colocam os sujeitos a discutir, em termos de pró e contra, os temas que olimpicamente despresam ou que apenas conhecem através das lambidas cognitivas dadas em um folhetim eletrônico ou de um semanário impresso.

Por isso que toda discussão desenvolvida nesta seara tornou-se vã. Numa sociedade onde os sujeitos não dedicam nem mesmo três minutos para refletir sobre o assunto que irão falar não se pode esperar nada de bom, visto que, o apresso que estes têm pelo seu ego, oculto debaixo das palavras que são despejadas pelas suas bocas, é muitíssimo maior que o seu desejo de realmente saber do que estão falando.

O mais engraçado nisso tudo é que os brasileiros, de um modo geral, e os diplomados desta pátria de modo especial, sempre tem uma opinião prontinha sobre tudo, mesmo que nunca tenham dedicado-se francamente a aprender algo que não seja para obter alguma espécie de vantagem. Fazer o que?

Sim, sei que tudo isso é ridículo, mas nossa sociedade é assim e neste cenário que a educação cumpre a sua (des)função em nome, é claro, de uma boa causa.

Pax et bonum
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