EIS QUE O AMOR SE FEZ CARNE

Escrevinhação n. 925, redigido em 20 de dezembro de 2011, dia de São Domingos de Silos.

Por Dartagnan da Silva Zanela

O amor em sua forma plena é sacrifício, um gesto abnegado, gracioso, onde o amante vê-se apenas movido pelo bem da amada. O amor não nos leva a perguntar sobre a serventia do objeto ou da pessoa amada, porque ele não é utilitarista. É simplesmente o que deve ser: uma força que move o amador a imolar-se em nome da realização daquele que é apontado pelo amoroso caminhar como razão de nosso viver.

O amor não é um reles sentimento. É antes uma realidade ontológica. Não haveria sociedade humana, não existiria humanidade sem a realidade do amor. Tal afirmação parece um tanto estranha em uma sociedade como a nossa que tanto gosta de repetir mantras vazios que declaram que somos maus e pérfidos por natureza, porém, esquecemo-nos que tal maledicência é uma inclinação acidental em nós e não um elemento fundante do ser.

De tão acostumados que estamos à essa turva ladainha, que esquecemos que estamos neste mundo por meio de um gesto de amor. Ora, se fôssemos maus por natureza nossas mães nos teriam atirado contra parede quando chorávamos no meio da noite. Se o amor não fosse o elemento fundante da vida, nossos pais nos abandonariam frente à primeira decepção. Entretanto, não é isso o que ocorre e, quando ocorre, nos escandalizamos.

Aliás, temos nossa alma tão impregnada pelas midiáticas imagens que acabamos por inverter a ordem do real, tomando a cruel exceção como sendo a regra. Basta que perguntemos a qualquer adolescente abestalhado ou para um douto ignorante diplomado qual é o tom da natureza humana que estes nos afirmarão que é má, sem ao menos ponderar sobre o dito.

Todavia, Deus em seu infinito amor, incompreensível e inabarcável por criaturas finitas como nós, se faz pequeno e inerme para nos ensinar, para nos lembrar daquela lição que jamais poderíamos ter esquecido. De que Ele nos criou a sua imagem e semelhança não porque Ele precise de nós, mas porque ele nos ama desde a Eternidade. Que Ele entregou o Seu Filho unigênito ao sacrifício porque nos perdoou de todos os nossos infames pecados. Ele, que é infinito amor, se fez pequenino e fraco, para nos lembrar que fomos feitos para sermos grandes e fortes no amor e não mais mesquinhos como a carne, o mundo e o demônio sugerem que sejamos.

Por fim, foi através de um gesto de amor que a humanidade surgir, e por um gesto amoroso que ela se renova. No Gênesis o Altíssimo nos fez e disse que o homem era muito bom e, na gruta de Belém, nos diz que não devemos, jamais, nos esquecer disso. Jamais.

Um Santo Natal a todos.

Pax et bonum
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