DA MISÉRIA NOSSA DE CADA DIA

Escrevinhação n. 923 redigido em 06 de dezembro de 2011, dia de São Nicolau de Mira.

Por Dartagnan da Silva Zanela

Afirma Nicolás Gómez Dávila que “há dentro de todas as coisas a indicação de uma possível plenitude”. Sim, em tudo e em todos há uma tendência a realização plena do ser. Todavia, para qual norte tendemos? Para qual direção fiamos o nosso caminhar? Sim, essa é uma pergunta aparentemente banal, porém, não tão banal e vazia quanto à forma como vivemos os nossos dias por esse vale de lágrimas.

Quando se aproxima do término de um ano letivo, cremos que seja uma ocasião impar para realizarmos um exame de consciência, sincero, profundo e profícuo e não raso e promiscuo como tudo o mais. Para tanto, penso que a presença de algumas perguntas seria de bom tom para que essa apreciação atenda razoavelmente os seus objetivos. Primeiramente, tudo o que aprendemos e vivemos neste ano é digno de ser levado conosco para a eternidade? Aliás, o que realmente aprendemos e vivemos neste ano que seja digno?

Podemos, também, modificar um pouco essa indagação. De tudo o que realizamos neste ano, o que nos faria corar de vergonha por toda eternidade? Tudo o que fizemos neste ano poderia ser testemunhado por nossos filhos (ou por nossos pais)? Ora, quem de nada senvergonha-se, que atire a primeira pedra! Se sim, diga-me: você bate, violentamente, contra seu peito ou se orgulha de estar todo enlameado?

Percebemos com uma finesa hipócrita a indignidade de outrem, todavia, vemos e não enxergamos, e nem reconhecemos, a miséria que há em nós que nos faz ser quem somos.

Nesta época do ano temos nossos olhos estão fitados para os festejos que se aproximam e nos esquecemos, nos esquivamos pra falar a verdade, desta tarefa, deixando-a para o dia de são nunca, ou para mais tarde, se possível for. Entretanto, mais uma vez, recorremos ao conselho do hercúleo escritor citado no início desta missiva que, enfaticamente, nos diz que uma alma aberta e nobre sentirá a ambição de aperfeiçoar e lograr a plenitude. Sim, mas aí, mais uma vez, pergunto: quem de nós é nobre? Quem de nós sabe realmente o que significa o fardo da nobreza?

No país do “sabe com quem você está falando?”, a nobreza não passa de um flatus vocis. Agir nobremente é um insulto a mediocracia reinante que reduz a plenitude humana a um reles dar-se bem, não importando os meios, nem as consequências, muito menos o que seja o tal do “bem”. Quanto a vergonha, quanto ao nosso desnudamento frente à tribuna da consciência, reduzem-se a expressões não significativas que bem nos servem para camuflarmo-nos frente aos nossos iguais e esquivarmo-nos de nós mesmos.

Pax et bonum
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