A REPÚBLICA DE NINGUÉM

Escrevinhação n. 919, redigido em 15 de novembro de 2011, dia de Santo Alberto Magno e de São Leopoldo III.

Por Dartagnan da Silva Zanela

Refletir sobre a experiência republicana brasileira é uma tarefa inglória, porém, como todas as tarefas desta monta, faz-se necessário que a abracemos como um fardo pessoal. Sim, todos conhecem claramente a imagem turbulenta que assombra nossa nau capitânia, essa mátria republicana, tratada como meretriz, chamada Brasil, mas, o que fazemos por nossa mãe gentil? O que fazemos para lavar a honra desta que nos pariu e que, dia após dia, vê-se enxovalhada por biltres de toda ordem de desqualificação, o que? Nada?

Nada já seria alguma coisa. Fazemos pior! Ficamos nos lamentando pelos cantos feito ratos em um paiol velho, choramingando como criancinhas mimadas pelos regalos da vida moderna, por sentirmo-nos vilipendiados em nossos sacrossantos direitos de cidadãozinho pagador de impostos que alimentam o erário que é utilizado para fins, no mínimo, duvidosos.

Perdoem-me a indelicadeza, mas, um cidadão de fato não porta-se assim. Aliás, nem mesmo um súdito, vassalo de um rei. Apenas os fracos e pusilânimes portam-se deste modo. Também, está muito distante da imagem de uma civitas essas figuras que creem que um chulo protesto forma a fibra basilar de um sujeito politizado e atuante.

Aliás, esses tipinhos recorrem prontamente ao jus esperniandi, porém, em regra, quem recorre ao seu sacro direito de espernear, não está clamando pelo bem público, mas sim, para defender um interesse pessoal, grupal, que em nada beneficia a tal da coletividade anônima ofendida. Ou seja, é muito mais uma manifestação egolátrica disfarçada de cidadanite do que outra coisa. Um comportamento típico da multitude ignara que se fantasia de gente com um diplominha na parede.

Ser cidadão é chamar para si a responsabilidade pela vida. Por nossa vida e pela da comunidade. Agir de modo cívico é amar a cidade, porém, não nos esqueçamos que o amor se demonstra não apenas com palavras toscas e vazias, mas sim, com atitudes, com gestos que demonstrem vivamente esse sentimento.

Infelizmente, nosso amor pela república não ultrapassa as fronteiras de nosso quintal. Esperamos, bravinhos, que o poder público se responsabilize por tudo mesmo sabendo das inúmeras limitações deste. Amamos tanto nossa república que nos esquivamos dela, ficando entocados em nossa alcova, lamentando os rombos em nosso bolso contribuinte, vertendo lágrimas (depre)cívicas sem nunca termos agido de maneira abnegada em favor do próximo ou mesmo em prol do bairro.

Pois é, um súdito serve à coroa, um cidadão ama sua pátria e o brasileiro, por sua deixa, acima de tudo idolatra seu umbigo e não serve à nada que vá para além disso.

Dito isso, viva a República! República de todos, de ninguém, de qualquer um.

Pax et bonum
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