AS DORES DA VIRGEM SANTÍSSIMA

Escrevinhação n. 916 redigido em 24 de outubro de 2011, dia de Santo Antônio Maria Claret e do Bem-aventurado Luis Guanella.

Por Dartagnan da Silva Zanela

O quarto mistério gozoso do Santo Rosário, como todos nós sabemos, é a apresentação do menino Jesus no Templo (Lucas II, 22-39). Neste, temos a presença do profeta São Simeão que declara que o coração da Virgem Santíssima seria transpassado por uma espada. Estava, deste modo, anunciada a dolorosa paixão de Nosso Senhor e a de Sua Santíssima Mãe.

Bem, diante disso, ouso indagar, mesmo que não seja ouvido: simbolicamente, o que seria essa espada que transpassa o coração de Maria Santíssima? Sim, literalmente falando, o gládio representa a dor de Nossa Senhora diante da Crucificação de seu Bendito Filho, mas, em termos simbólicos, o que esse vil instrumento representa? O que essa passagem do Evangelho está nos ensinando?

A espada somos nós que desprezamos o santo sacrifício realizado por seu divino Filho e por ela que, por amor a Deus e a nós, ingratas criaturas, disse sim ao Altíssimo. Fazemos pouco caso dos ensinos espirituais, minimizamos nossa miséria moral, cultuamos as potestades e bens deste mundo como se fossem a razão última de nossa existência, entregando-nos a mais tosca idolatria.

E, penso eu, tudo isso dói no coração de Maria como um duro golpe de espada ao ver que pelos séculos dos séculos, inúmeros foram, e inúmeros somos, os que cospem à sua face marejada de lágrimas junto ao calvário.

Talvez possamos afirmar que não somos esse tipo de biltre, inclusive podemos afirmar, publicamente, que somos devotos de Nossa Senhora. Todavia, não estamos nos referindo à palavras vazias e a encenações hipócritas que tanto se fazem presentes nestes plúmbeos dias. A pergunta é: nós realmente atendemos aos apelos de nossa Mãe espiritual ou apenas posamos de “bons filhos”?

Em todas as aparições, ela nos pede para que nos convertamos, rezemos diariamente (o Terço, de modo especial) e façamos penitência. Apenas isso e nada mais. Porém, o que temos feito? Basta que volvamos nossa atenção para o estilo de vida que cultivamos e veremos que em nosso horizonte o que há é algo de uma miséria moral e espiritual, no mínimo, vergonhosa.

E pior! Quanto mais diplomadas as almas se fazem, mais cegas tornam-se para as realidades superiores. Não apenas cegos, mas também, orgulhosos de sua estultice inflada de vanglória mundana inflamada que os coloca montados sob suas vãs e confusas impressões da realidade. E, essas nossas imposturas, meu caro, enxerguemo-las ou não, ferem a Dignidade que habita o coração daquela que tanto fez para que nós pudéssemos ter a visão do Verbo Divino Encarnado, da Verdade que se fez homem para que nos conhecêssemos através da humanidade revelada Nele e que nós, em nossa presunção, tanto insistimos em desviar os olhos.

Pax et Bonum
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